1…da Argentina (x2):
3. Da Colômbia:
4. Do Paraguai:
5. Da França:
6. Da Austrália:
7. Da Espanha:
8. Dos Estados Unidos:
9. Do Brasil:
10. Da Tailândia:
Share this Post[?]1…da Argentina (x2):
3. Da Colômbia:
4. Do Paraguai:
5. Da França:
6. Da Austrália:
7. Da Espanha:
8. Dos Estados Unidos:
9. Do Brasil:
10. Da Tailândia:
Share this Post[?]Muito se fala mal de Porto Alegre, do seu trânsito, dos seus administradores, dos seus habitantes, do seu clima, dos seus restaurantes, da sua violência, escolha você mesmo a chinelada que quer dar na cidade. É um esporte municipal falar mal de Porto Alegre.
Por mais que muita coisa seja verdade, é bom morar aqui. Mas dói. Um amigo meu, o Fabiano Goldoni, disse no aniversário da cidade que “É melhor viver com saudade do que viver aí.” Ele é publicitário, morou em Buenos Aires, está em São Paulo e traduz o sentimento de muita gente.
Mas, sejamos sinceros: com todas as suas mazelas – e muitas delas são iguais em todo o Brasil – Porto Alegre é uma cidade adorável, confortável e deliciosamente pequena. Eu gosto de morar aqui.
Mas a cidade tem uma relação muito cruel com o talento e a criatividade. E este é o paradoxo Nei Lisboa do título. Explico.
Nei Lisboa é um enorme talento. Grande compositor, sujeito inteligente, porto-alegrino de quatro costados. Tem letras geniais. Tem canções que fazem parte da história da cidade. É um cronista afiado da vida urbana local, tem a ironia fina e o humor dos grandes artistas.
Em (quase) qualquer outro lugar do mundo Nei Lisboa seria rico. Seria muito mais importante do que efetivamente é para Porto Alegre. Mais reconhecido, mais consultado e mais homenageado. Um talento ímpar que resolveu permanecer na cidade, negou-se ao êxodo. Se ele fosse natural de Denver, Colorado, por exemplo, ou Marne-la-Vallée, na França, teria estátua.
Se fosse canadense, já haveriam diversas coletâneas de homenagem à sua obra, com interpretações de K.D. Land, Neil Young, Cowboy Junkies e Leonard Cohen. Se fosse inglês, o chamaríamos de Sir Lisboa, ou Knight Nei. Se fosse argentino, sua imagem enfeitaria o altar central da Iglesia Neilisboniana.
Mas Nei Lisboa fez carreira em Porto Alegre, uma cidade que inexplicavelmente empurra muitos dos seus talentos para fora, sejam eles das artes, do jornalismo, da moda, da fotografia, da propaganda, da arquitetura, do futebol, tanto faz.
Para mim é um paradoxo. Um povo tão exigente, uma cidade com tanto potencial e esta arrogância ingênua de que o poço nunca vai secar, ou que os talentos vão continuar surgindo sem que haja talentos já experientes para orientá-los. E que os talentos que aqui permanecem, como o Nei Lisboa, vão viver de luz.
Toda a vez que eu ouço o Nei eu penso nisso. Penso em todos os meus colegas publicitários espalhados pelo Brasil e pelo mundo, nos músicos, nos atores, nos designers, nos talentos que a gente enche a boca para dizer que exportou. E que fazem tanta falta a esta cidade que eu amo.
Se eu pudesse dizer alguma coisa para eles, pediria que voltassem. Porto Alegre não tem dinheiro suficiente. Não tem oportunidades suficientes. Não tem teatros, ou cinemas de rua suficientes. Não tem incentivo oficial que baste. Mas tem o Nei Lisboa. Isto eu posso oferecer a vocês.
Posfácio:
Rolou uma grande e boa discussão a respeito do assunto, que acabou em matéria de duas páginas na Zero Hora do dia 17 de abril. Para ler, abra aqui e aqui.
Share this Post[?]Pintou mais uma programação bacana pra fazer dentro da Semana da Comunicação da ARP. De segunda a quarta da semana que vem, sempre ao meio-dia, tem um filme a ver com propaganda e um bate papo sobre ele na sequência ali no Instituto NT de Cinema e Cultura: rua Marquês do Pombal, 1111. Vou receber três convidados especiais e eles vão falar de suas experiências em propaganda, tendo como aquecimento três filmes. Confere:
Segunda-feira, 09 de outubro
A linguagem feminina
Convidada: Magali Moraes
A Magali é redatora e cronista, tem um blog bacana chamado Eu Leio Magali Moraes. Vamos assistir neste primeiro meio-dia “Do que as mulheres gostam” (2000), dirigido por Nancy Meyers e estrelado por Mel Gibson e Helen Hunt. Quase todo o filme se passa dentro de uma agência e a maneira como as mulheres se comunicam é a linha-mestra do enredo. Papo legal.
Terça-feira, 10 de outubro
Stress e competição
Convidada: Grace Meurer
A Grace vem direto de Londres para a Semana da Comunicação, onde ela completou um mestrado de design gráfico. O filme da terça é “Crazy People” (1990), dos diretores Barry l. Young e Tony Bill, com Dudley Moore e Daryl Hanna. Assim como o filme, o nosso assunto desse dia também vai ser a loucura que às vezes é trabalhar em uma agência.
Quarta-feira, 11 de novembro
Redes sociais
Convidado: Felipe Anghinoni
O Felipe é atendimento de origem, mas redator por correção de rota. Um dos sócios da Perestroika, vai aproveitar a teoria dos “Seis Graus de Separação” (1993), nome do filme da quarta, para falar do assunto no qual se especializou e desenvolveu primeiro como Diretor de Criação da Live e agora como um dos caras da Perestroika. O filme é de Fred Schepisi, estrelado por Donald Sutherland e Will Smith.
Estamos esperando por você. E a entrada é grátis.
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Dias atrás, comentei um artigo na Zero Hora intitulado “De pernas para o ar“ através do blog da Dez. O meu texto, intitulado “Chega”, acabou também no jornal. Uma pessoa que admiro muito, Lícia Peres, acabou respondendo o meu artigo e… para encurtar a história, resolvi postar todos os artigos, mais um texto que recebei de uma leitora de Zero Hora aqui neste espaço. Sem comentários, sem explicações, mas na sequência em que forma produzidos, para nossos leitores seguirem a cadeia de pensamentos sobre o tema e tirar suas próprias conclusões.
De pernas para o ar
(publicado na Zero Hora em 3 de novembro de 2009)
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Patricia Azevedo da Silveira
Doutora em direito, advogada e professora universitária
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Criada no início do século 20 e concebida para segurar as meias 7/8, a cinta-liga feminina revelou-se ao mundo nos bordéis europeus para saciar estritamente o imaginário erótico masculino. Representava, enquanto signo, o fetiche e a pornografia. Enquanto isso, a maior parte das mulheres ocidentais vestia ceroulas abaixo dos joelhos, as índias andavam nuas e as personagens da literatura eram como a Emma, de Madame Bovary, entediadas pelos casamentos sem amor.
Progressivamente, a revolução tecnológica e o movimento feminista pela igualdade entre os gêneros contribuíram com a libertação da mulher da culpa, por conta da expulsão do paraíso, e ela pode revelar todas as suas qualidades.
Mas por que essas referências históricas?
Neste ano, a Feira do Livro, principal evento cultural do Rio Grande do Sul, adotou, como um dos logotipos presentes nos marcadores de livros, totens, camisetas e campanhas institucionais, a imagem de um par feminino de pernas, voltadas para o ar, que vestem cinta-liga e meias 7/8, onde se lê: “Tem sempre uma emoção esperando por você”.
Não será grotesco que, para a multiplicação de leitores, se caia na vulgaridade de tomar a mulher como mero objeto da sexualidade masculina? É certo que a vulgaridade atingiu a política, a televisão e tenta arrombar as portas da literatura. Muito menos o patrono da 55ª Feira, um poeta lírico e criativo, dedicado à excelente criação da literatura infanto-juvenil, merecia essa demonstração de vulgaridade explícita. Sequer o termo “você” é típico da linguagem oral ou escrita neste Estado.
Não precisamos desses apelos para garantir o seu êxito. Ler é compreender a alma humana em sua totalidade. Não proponho, como compensação, que, em evento futuro, faça-se o inverso, pondo-se a mulher a mergulhar com pés de pato, logotipo escolhido para representar o homem. A riqueza de tudo aquilo que o livro, o ser humano e a Feira representam deve ser protegida contra esses rasgos de vulgaridade e de machismo.
Não importa a profissão da mulher, se operária, juíza ou escritora. Ela pode ser fêmea e pensadora. Com esse gesto, Susan Sontag, Rosa Luxemburgo, Madame Blavatsky e tantas outras não foram convidadas para esta Feira, nem nós.
Chega!
(publicado neste blog em 4 de novembro e na Zero Hora em 6 de novembro de 2009)
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@saulduque
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A primeira vez que eu ouvi a Ópera do Malandro, do Chico Buarque, tinha uns 16 anos. Se você ainda não ouviu, recomendo. Grande trabalho do Chico lançado em 1979. Entre canções e intérpretes fantásticos como Zizi Possi, Moreira da Silva e Maria Bethânia, Chico cita musicalmente Brecht, Biset, Verdi e Wagner.
Uma das músicas que mais me chamou a atenção no disco foi “Geni e o zepelim”, canção que conta a história da prostituta que, desprezada e agredida por todos, salva a comunidade ao dormir com o militar que quer destruir a cidade. Para, na manhã seguinte, ser sádica e novamente apedrejada pela população tão logo o militar e o perigo vão embora. Os versos do Chico viraram bordão:
Joga pedra na Geni, joga bosta na Geni, ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir, ela dá pra qualquer um, maldita Geni.
Da ingenuidade dos meus 16 anos (sim, na época os garotos de 16 eram ingênuos), não compreendia direito a grande crítica política que o Chico fazia. A história se passa nos anos 40, época de Getúlio Vargas, mas sutilmente a sociedade brasileira e a ditadura militar no final dos anos 70, já nos seus extertores, são dissecadas na ópera com todo o talendo de Chico Buarque.
Geni é com certeza uma das personagens mais marcantes. E a mais sofrida. Virou sinônimo de quem é linchado publicamente e, principalmente, de quem toma porrada sem muita razão, como se fosse o culpado de plantão.
Ontem, eu me senti Geni mais uma vez ao ler o texto da doutora Patricia Azevedo da Silveira, publicado na Zero Hora. O problema: na campanha institucional da Feira do Livro de Porto Alegre há um marcador de livro em forma de par de pernas femininas vestindo uma cinta-liga. Na visão dela, uma “demonstração de vulgaridade explícita”.
Um ingênuo marcador de livros, um dos vários da campanha que também tem pernas com pés de pato e rabo de dragão, imagens que complementam a boa e competente campanha da agência Matriz.
Por alguma razão que, sinceramente, não consigo entender, a propaganda e os publicitários são sempre escalados para o linchamento público e a desclassificação sumária. Publicitário é, via de regra, cidadão de segunda classe.
Não há o que a gente faça que mude esta situação. Campanha social e trabalho solidário. Hora extra de madrugada e no fim de semana. Campanhas brilhantes e prêmios internacionais para o Brasil. Patrocínio cultural, divulgação da música brasileira, excelência artística, dá pra ficar o dia todo falando nisso. Mas na necessidade de um vilão, sempre olham para o nosso lado.
Há mais de 30 anos a classe publicitária criou o seu Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária – Conar. Publicitários regulamentando publicitários? Só na aparência. O Conar tem hoje um conselho de 180 voluntários. 61% dos seus lugares são ocupados por não publicitários. 16% por advogados como a doutora Patrícia. Além de jornalistas (9%), engenheiros (5%) e médicos (2%), só para citar quatro categorias profissionais que se orgulham da sua profissão, das suas ordens e de seus conselhos. Mas que, ao julgar sua atividade – e que fique claro que isto é um direito deles e não estou criticando – convocam apenas profissionais da sua própria área para isso.
Os publicitários trabalham de portas abertas para a sociedade, prestando um serviço relevante para a indústria, o comércio e os serviços do país, de outros países e das comunidades onde se localizam. Não têm medo de ser regulamentados por esta mesma sociedade e acatam suas decisões. Mas, sob hipótese alguma, vão levar a culpa porque o mundo está virado, não se respeita mais nada ou tudo virou um grande bordel. Não generalizem, não nos joguem bosta. Não gostou, liga para o Conar.
E, por favor, não mande mais um texto para o jornal falando mal da propaganda. Chega. A nossa casa não é de tolerância. E Geni só existe na ficção.
Belas pernas
(enviado por email para a Dez em 9 de novembro de 2009)
Gabriela Leal Barreto Gehlen
Estudante de medicina
“Tem sempre uma emoção esperando por você”, diz o slogan publicitário da feira do livro este ano. Associado à frase, há um belo par de pernas femininas despontando em forma de marcador de livro. A alusão é clara: a promessa de prazer, alegria, encanto (especialmente o que nos vem em mente, entre outras emoções – “tem sempre uma emoção”) associados tão facilmente ao livro quanto à mulher.
Criativa, mas, ainda mais do que isso, a simbologia não deixa de ser uma provocação, aliás, muito inteligente e oportuna. Isso principalmente porque inserida neste contexto de feira de livros, uma celebração da arte, portanto. É que justamente o principal papel do artista é entrar em choque com os dogmatismos da sociedade, e o publicitário-artista acabou ilustrando o que também se espera dos livros da feira: fazer pensar, discutir, cutucar o dogma…
Digo isso porque o referido anúncio já bateu de frente com o que é talvez a mais ingênua cantilena, o dogma, o cânone do feminismo raso (e sempre muito em voga), que trata, naturalmente, da subordinação do sex appeal feminino a um suposto olhar masculino onipresente e opressor, que tornaria a tudo passivo e escravizado; ou, ainda, nas palavras do artigo do dia 03/11, “mero objeto de sexualidade masculina”.
Porém, é interessante lembrar que a objetificação sexual é característica humana, e que também não é “mera”, mas sim, se compara ao impulso artístico do esteta. Deste modo, frente ao consenso de arrogância que certos feminismos alimentam em resposta à valorização da beleza do corpo da mulher e ao reconhecimento (consciente ou não) do domínio psicológico que dele emana, ofereço as palavras de Camille Paglia quando esta nos diz que “O homem tem dominado tradicionalmente a esfera social; o feminismo lhe diz para sair do poder. Mas a mulher domina a esfera sexual e emocional, e nisso não tem rival. A ideologia de vítima, uma caricatura da história social, bloqueia à mulher o reconhecimento do seu domínio na esfera mais profunda e importante.”
Mas claro que só se pode entender, seja o par de pernas da feira do livro, a loira linda do comercial de cerveja, ou a modelo ao lado do carro lançamento, com essa compreensão, quando se tem por base as humanidades e a ciência biológica, ao invés de moralismos. Por isso que evoluiríamos infinitamente em autoconhecimento se tivéssemos olhos mais pagãos e não nos consternássemos tanto com o óbvio, o natural; feito isso e com um pouco de boas leituras digo até que talvez conseguíssemos abandonar paradigmas estagnados na alienação, na antinatureza, na negação dos próprios corpos, como também da derradeira e reprimida natureza pagã.
Enquanto isso restará aos escritores, aos diretores, aos filósofos, aos publicitários (…), enfim – e também a qualquer um que se aventure na liberdade criativa e no livre pensamento – o ataque dos que, por alguma razão, precisarão falsificar preconceitos com que se ofender a toda vez que a provocação da verdade vier à tona. Mas, novamente, eis aí o principal papel do artista: confrontá-los.
Protestem, sim
(publicado na Zero Hora em 9 de novembro de 2009)
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Lícia Peres
Socióloga
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Um dos maiores absurdos que li ultimamente foi o artigo “Chega”, assinado por Carlos Saul Duque (Zero Hora, 6 de novembro).
Inconformado com a crítica feita por Patrícia Azevedo da Silveira sobre um marcador de página criado especialmente para a Feira do Livro, o autor diz textualmente: “Por favor, não mande mais um texto para o jornal falando mal da propaganda. Chega”. E passa a comparar a propaganda, em geral, à personagem Geni, permanentemente execrada, da música do Chico Buarque.
Vários erros comete o senhor Duque. O primeiro é partir da premissa de que os publicitários são as grandes vítimas da nossa sociedade. Não é verdade. Há propagandas belas, emocionantes, poéticas mesmo, capazes de encantar a todos. Outras, apelativas, grosseiras e desrespeitosas, que têm merecido protestos veementes para sua retirada. O argumento de que os profissionais da área trabalham incansavelmente não é pertinente, nem justifica tudo. Apenas o esforço não garante bons frutos. Podem varar dia e noite, mas, se o resultado não é bom, são passíveis de crítica.
O movimento de mulheres inúmeras vezes conseguiu suspender aquelas propagandas que, preconceituosas e causadoras de dano, contribuíam para a manutenção de estereótipos. Quando integrava o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, em Brasília, reunimo-nos com o coordenador do Conar para ponderarmos sobre muitos abusos que vinham ocorrendo nessa área. Foi um encontro respeitoso e democrático.
Poucos ignoram que a comunicação exerce um papel importantíssimo para a formação da opinião pública. Assim, representa um potencial extraordinário de dinamização de comportamentos. A herança cultural que recebemos nos obriga a estarmos atentas a tudo aquilo que deseduca.
Infelizmente, só pude ir à Feira do Livro uma vez, e nem recebi o mencionado marcador.
Mas o que me indignou, de fato, foi a frase reproduzida no início do meu artigo, na qual o vice-presidente de Criação da Dez Propaganda, autoritariamente, decreta a interdição do direito de manifestação contrária à publicidade. Onde ele pensa que está? Que poder ele pensa ter para calar vozes dos que pensam diferente? Delirou?
A comunicação é, sobretudo, um instrumento valioso, um espaço disponível para a apresentação e sustentação de ideias, o campo argumentativo que contribui para o esclarecimento e a formação de pessoas conscientes. Mais educadas, portanto.
Linchamento mesmo foi o sofrido pela estudante da Uniban obrigada a suportar todo tipo de agressões, por usar um minivestido rosa. A ela é que a turba, tentando convertê-la na Geni, desferiu violento e covarde ataque.
O exercício da liberdade responsável se afirma quando, seja no que for, podemos, de maneira civilizada, manifestar nossa opinião, seja de concordância, seja de protesto.
Protesto!
(postado em 11 de novembro de 2009)
@saulduque
Prezada Lúcia Peres.
Perdoe-me tratá-la assim de você, mas sendo alguém que acompanho há muito tempo, sinto-me à vontade de deixar o tratamento formal de lado.
Achei válida e democrática a sua indignação com o meu artigo “Chega”, publicado na Zero Hora de 6 de novembro. E resolvi escrever novamente não apenas para responder ao que foi dito no seu artigo “Protestem, sim” do dia 9 de novembro, mas para também fazer uma confissão:
Sou seu fã.
Fã da sua coragem, da sua história na defesa das liberdades individuais, da sua participação em entidades altamente relevantes para a democracia e, particularmente, do seu posicionamento claro quando escreve sobre abusos e supressões da liberdade que, infelizmente, ainda acontecem em pleno século XXI.
Peço-lhe desculpas por ter causado tanta indignação a ponto de você colocar o que escrevi no topo da escala de descalabros escritos que foram publicados. Mas gostaria que você conhecesse o tal marcador de livros em forma de pernas femininas antes de escrever o seu texto. Ele é apenas um detalhe da grande ação de comunicação da Feira do Livro, detalhe que acredito ter sido também retirado do seu contexto pela doutora Patrícia Azevedo da Silveira em seu artigo “De pernas para o ar”, publicado na Zero Hora do dia 3 de novembro.
Concordando do que você escreveu, não acho que os publicitários sejam as grandes vítimas da sociedade. Mas isto não estava escrito em meu artigo. O que afirmei é que somos muito visados. E que temos um órgão de auto-regulamentação formado não exclusivamente por publicitários, mas por diversos representantes da sociedade brasileira. E pedi “Por favor, não mande mais um texto para o jornal falando mal da propaganda. Chega.” Mande para o Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária – Conar, um canal democrático e plural, aberto a todos, que há mais de 30 anos derruba propaganda apelativa, grosseira e desrespeitosa.
Como minha mãe me ensinou, quando a gente pede alguma coisa, pede com um “por favor”. Que pode receber um não como resposta. Que, esperamos, seja tão educado quanto o nosso pedido.
Mas no fundo concordamos. Queremos um mundo melhor e liberdade para todos. Inclusive o seu artigo e o da doutora Patrícia estão no blog da minha agência, um espaço democrático que estimula a liberdade de opinião e a propagação de idéias. Assim como a minha opinião, também: acho que a propaganda da Feira do Livro não é machista, nem diminui as mulheres. Por isso defendi a liberdade de expressão de quem o propôs.
Mas o que é um simples marcador de livros frente ao linchamento moral da estudante da Uniban – que o meu sócio, Mauro Dorfman, chama de Unitaleban? Concordo com você, mas acrescento: por mais errado que eu possa estar, colocar no mesmo artigo as minhas palavras e aquela vil tentativa de estupro é por demais perigoso.
O que aconteceu na Uniban não pode ser comparado a nada que uma peça publicitária possa ter sofrido na história da propaganda. O atentado contra a liberdade de expressão da garota está em outro patamar, a dignidade dela é mais preciosa que qualquer campanha de propaganda.
O exercício da liberdade responsável é um dever de todos. Eu, como publicitário, tenho a consciência de que minha liberdade acaba onde começa a dos outros. Agradeço por me lembrar disso mais uma vez. Mas tenha a certeza que, se eu ou qualquer outro publicitário esquecer disso, o Conar está aí para ajudar a sociedade clarear a nossa memória.
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Na média. Dois Leões de Cyber é um resultado pífio para um país que costuma liderar a categoria. Nenhum Leão em Direct, nem em Titanium, nem em Integrated, nem em Promo e apenas um em PR; nenhuma premiação em Young. Meu amigo, é neste ponto que a porca torce o rabo.
Mil Casmurros: unico Leão de PR para o Brasil. Criação da LiveAD
O futuro reside nestas novas categorias e na capacidade da propaganda brasileira de produzir novos talentos. E se formos analisar o desempenho do Brasil sob este ponto de vista, fomos muito mal. Cannes este ano mostrou uma vontade contagiante de ir buscar o terreno que perdeu nos últimos anos. O mundo agora é digital, viral, interativo, comandado pelo consumidor. O GP de filme veio da categoria interativa. Os principais candidatos de todas as categorias, salvo raras exceções, já eram conhecidos de milhares, de milhões, através do youtube. E as expectativas geradas pelos números de cliques ou de views, via de regra se confirmaram. O long list de Cannes, uma vez imprescindível para qualquer publicitário que se preze, tornou-se alternativo. O bom e produtivo era acompanhar os debates, os workshops e até mesmo as masterclasses para os Young Lions que eram abertas aos delegados em geral. Foi muito mais interessante e divertido assistir ao papo aberto da masterclass de Andy Berndt, Diretor Global de Criação do Google, do que aguentar os mais de 200 filmes da categoria Cars.
Agora a boa notícia.
Para quem está no mercado há mais tempo é comum ouvir em papos de veteranos que o mercado já não é mais o mesmo. Que o prazer que existia em realizar um grande filme, publicar um anúncio diferenciado, hoje em dia está reduzidíssimo, seja porque os clientes endureceram, ou porque o Planejamento tomou as rédeas do processo, ou porque as agências não conseguem mais impôr a sua pegada aos clientes, ou porque o Michael Jackson morreu no mesmo dia em que a Farrah Fawcett.
Eu mesmo, nos últimos anos, tenho sentido este abatimento em relação ao horizonte que se abre na nossa frente. Sem dúvida, hoje em dia está muito mais difícil emplacar um bom trabalho sem ter que se adequar ao que diz o Planejamento, o Conar, a mulher do cliente, o pré-teste, o guru, as senhoras de Santana, a redução de orçamento e o que mais surgir no horizonte, jogando o instinto por terra e tornando tudo tão parecido e insosso. Fazendo com que uma parte dos trabalhos inscritos em Cannes só possa ser conhecidos efetivamente em Cannes, por falta de oportunidade anterior. Salvo raras e nobres exceções.
Nestes últimos anos, minha desesperança em realmente ter prazer em fazer o que faço foi sendo diminuída pela tecnologia e suas ferramentas de comunicação. Um novo mundo que não para de se abrir com a internet e tudo que a rodeia, e com o que traz de surpreendente e emocionante, me trouxe de volta a alegria de trabalhar em comunicação. Ver o que se está fazendo em termos de integração de meios e uso das novas tecnologias é uma das coisas mais estimulantes que existe. E, para uma cabeça de quase cinco décadas, um combustível que leva a uma novo olhar ou à morte profissional. Definitivamente, prefiro a primeira opção.
Declaro aqui de volta, revogando todas as disposições em contrário, a alegria e o prazer de trabalhar.
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