• 30Oct

    @saulduque

    Tá rolando em São Paulo o 3º MediaOn, Seminário Internacional de Jornalismo Online. Gente muito interessante tem passado pelo palco do evento e se você ainda não pescou nenhum conteúdo do que se está discutindo por lá, dê uma passadinha no site deles – ou no Terra, que faz uma ótima cobertura, e veja o que está rolando. Recomendo.


    mediaon

    Um debate interessante foi o de de Joshua Benton, jornalista investigativo e diretor do Nieman Journalism Lab, da Universidade de Harvard. O eixo do que ele falou está no comportamento dos jornalistas frente às novas mídias, principalmente no que diz respeito ao novo comportamento do público.

    Não é novidade para ninguém que a mídia em geral, e a mídia impressa em particular, vêm perdendo audiência. E a principal, mas não única razão, é o poder que a tecnologia tem colocado na mão das massas. Seja a internet, o MP3 player ou o Guitar Hero, o fato é que a galera perdeu o interesse em muitas coisa que só a mídia convencional tinha o poder de dizer ou fazer. E foi atrás de algo mais interessante.

    E acho que o centro da discussão está exatamente nesta pequena palavrinha: poder. A possibilidade multifacetada de escolha que a tecnologia trouxe está mudando, porra, já mudou o jeito com que consumimos a informação. As mídias sociais estão aí para mostrar isso. O discurso institucional ou editorial está se adaptando à velocidade e ao poder de interferência do cara que está do outro lado do canal.

    redegloboMeses atrás a Globo proibia seus jornalistas de falar em twitter. Equivocadamente, a vênus platinada classificava-o como uma marca – uma abordagem anacronicamente comercial calcada no interesse, obviamente, comercial da emissora. Hoje a Globo não só está no twitter como os seus comunicadores falam alegremente e o tempo todo sobre isso.

    Voltando ao Joshua Benton. Um parágrafo da fala dele no MediaOn resume na prática tudo o que eu disse acima. É sobre os profissionais jornalistas, mas serve também para a mídia tradicional e para a comunicação em geral, propaganda incluída:

    photo_35-240x300“Os jornalistas terão de perder a sua arrogância e agir com seres humanos. A transição vai ser muito difícil para a maioria. (…) A internet treinou as pessoas para que elas recebessem as informações de uma forma social. Os repórteres têm de parar de achar que o seu público é um estorvo. Os jornalistas encaram os e-mails de um leitor como algo chato, principalmente quando endereçados ao editor. É hora de a voz institucional desaparecer. Os jornalistas online tem de encarar o leitor em primeira pessoa e dizer: ‘isto nós sabemos e isto nós não sabemos’”.

    Se fosse no jogo de taco, que se joga na rua com dois pedaços de pau e uma bola de tênis velha, eu diria para os jornalistas: licença pra dois e entrega os tacos. Relaxem e caminhem em direção à luz, em busca da felicidade. Pra ser um pouquinho mais sério cito Schopenhauer, o filósofo alemão definido como “o professor do pessimismo”, mas que no seu livro “A Arte De Ser Feliz” deu o seguinte conselho, que eu transfiro para todos os comunicadores:

    schopenhauer04“Precisamos tentar chegar ao ponto de ver o que possuímos exatamente com os mesmos olhos com que veríamos tal posse se ela nos fosse arrancada. Quer se trate de uma propriedade, de saúde, de amigos, de amantes, de esposa e de filhos, em geral percebemos o seu valor apenas depois da perda. Se chegarmos a isso, em primeiro lugar a posse haverá de nos trazer imediatamente mais felicidade; em segundo lugar, tentaremos de todas as maneiras evitar a perda, não expondo nossa propriedade a nenhum perigo, não irritando os amigos, não pondo à prova a fidelidade das esposas, cuidando da saúde das crianças etc. Ao olharmos para tudo o que não possuímos, costumamos pensar: ‘Como seria se fosse meu?’, e dessa maneira nos tornamos conscientes da privação. Em vez disso, diante do que possuímos, deveríamos pensar frequentemente: ‘Como seria se eu o perdesse?’”

    O público já deu seu recado: vou dar uma banda por aí e ser feliz, não sei se volto. Não enxergar que ele já conquistou esse poder é pôr à prova sua fidelidade. E correr o grande risco.


    Share this Post[?]
            
  • 11Sep

    Carlos Saul Duque

    O Proxxima – Seminário Internacional de Comunicação e Marketing Digital – discutiu durante dois dias em São Paulo estratégias, ferramentas e novidades digitais. Pra quem não foi, uma palhinha do evento através de dez frases marcantes.

    “O mundo offline não vai acabar. Só vai ficar menos importante que o online.”

    Marcelo Velloso, HSBC – Diretor de marketing.

    “No more product, place, price & promo; welcome experience, everyplace, exchange & emotion.”

    Maria Mandel, OgilvyOne USA – Director of Digital Innovation.

    “Mídias sociais são mesa de boteco virtual. Permitem diálogos entre marca e público que antes eram impossíveis.”

    Ezra Gelg, JWT Brasil – Diretor geral de mídia.

    “O banco de dados não informa mais o que eu quero, mas o que eu queria. Virou bando de dados.”

    Walter Longo, Y&R – Vice-presidente de estratégia e inovação.

    “O mobile marketing é o hyperlink da mídia off-line.”

    Leonardo Xavier, Pontomobi – Sócio-fundador.

    “Don’t get seduced by technology, get seduced by the freedom it gives.”

    Paul Price, Rapp Collins Worldwide - President.

    “Data is not the enemy of the creative. Data ignites the connexion with your public. Make data drive creative.”

    Paul Price

    “No mundo digital o que não se prova, não se gasta. Mas é preciso mudança cultural para que a gente pare de gastar à toa.”

    Edmar Bulla, Nokia – Gerente de marketing e vendas online.

    “Se o Lula ler um trecho de Dom Casmurro a gente vai ter um país melhor.”

    Lucas Mello, LiveAd – CEO, contando o case premiado em Cannes “Mil Casmurros”.

    “O iPhone é o primeiro celular diferente de uma geladeira. Não se compra pelo que oferece, mas pelo que vai oferecer.”

    Ricardo Longo, Fingertips – Sócio-diretor geral.


    Share this Post[?]
            
  • 28Jan

    robotwill-4web

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Carlos Saul Duque

    Você sabia que grande parte dos investimentos dos principais bancos e corretoras dos Estados Unidos é controlada por softwares de inteligência artificial? A consultoria especializada Aite Group acredita que quase 40% de todas as negociações realizadas nas bolsas americanas já são controladas por corretores-robôs, que tomam decisões de compra e venda sozinhos. São quase 1 bilhão de transações por dia feitas por máquinas sem deus e sem patrão.

    No auge da crise de dezembro do ano passado, Citigroup, Lehman Brothers e Bear Sterns, para citar três empresas que escorreram pelo ralo, tinham parte de suas aplicações robotizadas. Se isto piorou a crise ou não, ninguém pode ter certeza. Mas o analista americano Matthew Samelson estudou o assunto e acha que os robôs reagiram agressivamente ao que estava acontecendo e ajudaram a disseminar o pânico no mercado. 

    Lendo isso, não consigo deixar de pensar na diferença de opiniões que baliza o roteiro de “Wall-E“, a animação da Pixar que foi considerada obra-prima pela New York Magazine. O robô enferrujado Wall-E, como Charles Chaplin em “Tempos Modernos”, tem uma atividade robótica-repetitiva enlouquecedora: compactar o lixo da Terra em blocos e depois os organizar em enormes pilhas. Sua distração é colecionar a memorabilia da extinta vida terrestre que vai achando entre o lixo. Até o dia em que “uma” robô de nome Eve chega do espaço e, como se fosse um desses avaliadores automatizados de Wall Street, atinge Wall-E com sua agressividade e frieza para cumprir sua missão. É claro que Eve acaba domada pela doçura do robozito, mas infelizmente isto aconteceu em Wall-E, que é ficção, mas não em Wall-S, que é a mais dura realidade.

    As previsões são de que em 2015 o Japão tenha um robô em cada casa. Os coreanos, em 2020. E assim como a humanidade se robotiza, é melhor para todo mundo que os robôs se humanizem. Já se fala em computadores totalmente pensantes lá para 2061, o que nos dá uma certa folga para planejar o que a gente vai fazer se os caras resolverem, como em um de cada três filmes de ficção que a gente vê, sair no braço com a humanidade.

    Share this Post[?]
            
  • 31Oct

    1. Qual é a tua graça e de onde vens?
    Sou a Claudia Bertero Marin, nascida em São Paulo – Capital.

    2. Tu buzina quando passa pelo Itaim-Bibi? 
    Não, por sinal, quase não uso a buzina do meu carro.

    3. Mídia externa ou out of home? 
    (risos) Out of home

    4. Se tu não fosse gestora de canais, tu serias: 
    Psicologa ou dona de espaço para mulheres no centro de SP, com SPA, cabelereiro, loja zen, sala de meditação… Um lugar para passarmos um dia maravilhoso, nos cuidando e sendo cuidadas!

    5. Sobre gestão de canais, qual é o que complica mais: o da Mancha ou o do Panamá? 
    Humm… Nunca tive problema com nenhum dos dois (risos). Eles são bem calminhos.

    6. É possível gerir um canal sem anestesia?
     (risos) Sem comentários.

    7. Um chopps e dois pastel ou vice-versa? 
    (risos) Nenhuma das opções. Eu peço assim: “por favor, me vê um choppinho e dois pastéis”. Por sinal, adoro.

    8. O kassab é gay? 
    Com certeza! Muitooooo, mas muito gay!

    9. E os gaúchos, levam jeito? 
    De serem da turma do kassab? (risos) Antes de conviver com vocês achava que sim. Agora… de verdade estou encantada.

    10. Se tu fosse gaúcha e não paulista, qual a mensagem que tu deixarias para os paulistas melhorarem a sua relação com os gaúchos nas áreas que gaúchos e paulistas – esses sendo eles mesmos, e não na hipótese anteriormente mencionada – agem, dicotomicamente, ou como gaúchos, ou como paulistas? Ou vice-versa?
    A propósito: você pode repetir? Ser mais claro, por favor?

    Share this Post[?]
            
  • 14Oct

    Aurélio Buarque de Holanda Ferreira no tempo em que OH era apenas Oh!

     

     

     

    Teve uma época onde tudo era mais simples: anúncio era anúncio, comercial era comercial e assim por diante. Se alguém falava em mídia externa, a gente já sabia que era um outdoor, uma placa, ligação direta entre o nome e a coisa.

    Aí apareceu o busdoor. A primeira vez que eu ouvi o termo, pensei que era mídia na porta do ônibus. Não era, ficava na traseira do ônibus. Na porta traseira? Não, no vidro traseiro. Então não é buswindow, la ventana del autobús? No, señor, busdoor. Oquei, mas e o floordoor? É um alçapão? Não, é um adesivo de chão! Claro, faz todo o sentido.

    Depois vieram o backlight e o frontlight. Esses pelo menos davam uma chance da gente adivinhar. Mas daqui a pouco tudo começou a ser chamado de front. Precisamos layoutar um front! Frontlight? Não, um front com iluminação por trás. Então é um backlight! Front, tá surdo?

    Surgiu o Enox. Levei um tempo para descobrir que era o nome da empresa que comercializava mídia no banheiro. Pô, não dava para chamar de WCdoor, Toiletdoor ou coisa que o valha? Os londrinos descolados dizem que vão ao “loo”, pois não é delicado dizer toilet ou bathroom. Por que não Loodoor?

    E agora chegamos à era do Oh. Oh? Fui para o Aurélio: Oh [do lat. O.] Interj. Exprime espanto, surpresa, alegria, tristeza, admiração, lástima, repugnância e outras impressões vivas ou súbitas. Não, Pedro Bó, é OH – Out of Home: peças criadas e exibidas/aplicadas/implementadas em espaços externos que não utilizam exibidoras de mídia exterior. Deixei o Aurélio fora disso. Mas não vou livrar a cara do Casimiro de Abreu: Oh! Que saudades que tenho / Da aurora da minha vida…

    Acho que vou produzir um ladão sobre isso. Ladão, meu, o popular broadside.

    Share this Post[?]
            

Blogroll:

Recent Posts