• 27Apr

    Carlos Saul Duque

    Buenas!
    Talvez tu não me conheça. Meu nome é Gaúcho Maneta. Moro desde 1935 na Loureiro da Silva, esquina com a Luiz Englert em Porto Alegre. E a minha diversão é ver o movimento do Parque da Redenção. Na verdade, meu nome de batismo é Gaúcho Oriental. Mas em 2004 uns ladrõezinhos guaipecas deram de mão no meu laço e, no entrevero, quebraram a minha mão a pedrada. Tempos depois acordei maneta, pois outros, ou os mesmos guaipecas acabaram por levar a mão quebrada de lambugem.
    Isto já faz uns seis anos e sigo maneta. Volta e meia passa um vivente e fica me olhando, tentando imaginar o porquê de uma estátua de gaúcho sem a mão direita na esquina do Parque da Redenção.
    Eu não digo nada. Mas observo. E penso.
    Penso que atacar um símbolo do Rio Grande assim no más já fez a gauchada se envaretar e se unir. E querer briga. Hoje, parece que a gente gosta mesmo é de brigar uns com os outros.
    Penso também que um gaúcho maneta tem lá o seu simbolismo. Perdemos o pulso das côsas? Deram de mão no que é nosso? Tamo precisando de uma mãozinha? Tem madrugada fria que eu fico solito depois da peonada ir embora do parque, espantando o tédio pensando nestas frescuras filosóficas.
    Outras vezes fico pensando que, do jeito que o gaúcho anda dirigindo e as tragédias que anda provocando, talvez eu tenha virado o neo-símbolo do Estado, o Gaúcho Maneta no volante.
    E quando me passa um engraçadinho e diz que eu tô desmunhecado, aí é que me ferve o sangue maragato e me dá gana de passar no fio da adaga os secretários e prefeitos que não fizeram nada pra me tirar desta situação.
    Talvez, penso eu, se estivesse mais perto do aeroporto, como o meu irmão Laçador, ou ao lado do Gasômetro, como a guriazinha Elis, quem sabe não tinham dado um jeito na minha manetice.
    Aqui no Rio Grande se costuma dizer que “quem pensa, não casa.” Bueno, parece que é o meu caso. Mas também fica difícil eu arranjar uma prenda parado aqui nesta esquina. Pois de dia elas passam correndo pra manter a forma. E de noite, passam correndo dos ladrões.
    Mas vou levando a vida. Talvez uma hora destas uma alma caridosa passe por aqui e se comova com o estado mulambento em que estou, sem a mão e com o laço estraviado. E diga para alguém lá no palácio, ou na prefeitura, que isto não se faz com um gaúcho. Até chegar esta hora, vou levando a vida e lembrando com saudade de como admiravam a nossa educação e civilidade. E na falta de conserto, me apoiando na lembrança dos versos do bagual Caco Coelho pra dizer o que sinto:
    Queria que, de repente, tudo fosse diferente,
    da vida que tenho aqui;
    Da cidade ir me embora, viver a vida de outrora,
    dos meus tempos de guri.

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  • 21Apr

    Carlos Saul Duque

    Léo Mainardi é empresário e pai de Carleffa, 24 anos, cadeirante desde pequenininha.
    Mas, acima de tudo, Léo é um idiota.
    No último domingo, foi golpeado na cabeça com uma barra de metal porque repreendeu o motorista que estacionava na vaga de deficientes físicos do hipermercado Makro de Porto Alegre. Léo sempre observa e, como ele mesmo diz, “dá um toque” para quem ocupa estas vagas especiais, pois lembra da dureza que sempre foi a locomoção de Carleffa.
    Léo foi agredido verbalmente. Depois, fisicamente. Não satisfeito, o motorista atirou-lhe tubos de álcool gel. E arrancou uma barra de metal de uma gôndola e acertou a cabeça dele. Isto lhe rendeu um coágulo no cérebro e uma cirurgia de emergência.
    Da entrevista de Léo que li na Zero Hora, o que mais me impressionou não foi a fúria do motorista, mas a argumentação. Ele foi taxativo:
    “Você é um idiota que quer aparecer.”
    Bom, se isso serve de consolo, Léo, eu também.
    Eu sou o idiota que acredita em faixas de segurança. Em esperar as pessoas saírem do elevador primeiro para entrar depois. Sou o idiota que dá passagem aos carros que entram na via, mesmo sob o coro de buzinas dos que vêm atrás. Outro dia, cometi a idiotice de deixar a calçada desimpedida para os pedestres enquanto esperava para entrar no estacionamento, mas uma motorista sensata mostrou o meu erro me ultrapassando por cima da calçada para estacionar antes de mim.
    Mas o meu rol de idiotices não acaba por aqui. Eu também tento teimosamente não acelerar no sinal amarelo e não trancar o cruzamento. Não conversar no cinema, não furar filas, não levantar do meu assento no avião antes dele estar realmente parado. A minha rotina de idiota é intensa e, realmente, incomoda muita gente. Mas ainda não levei uma barra de metal na cabeça.
    Outro dia, indo para o futebol, tive o meu dia de não idiota: avancei pela pista da direita enquanto todos estavam em fila na esquerda. Lá na frente havia uma viatura da EPTC trancando a faixa, o que eu só percebi quando cheguei perto. Parei o carro e dei sinal à esquerda, mas todos os motoristas – torcedores do meu time – fizeram questão de não me dar passagem. Até que um deles me chamou de volta à idiotice:
    - Tu acha que vai passar todo mundo pela direita?
    - Eu não vi que a pista estava interrompida. Por favor, posso…
    - Tu não vai passar todo mundo pela direita. Tu sabe que essa pista sempre fica interrompida!
    - Mas eu nunca venho por esse caminho, não tinha como eu sab…
    - Tu não vai passar todo mundo pela direita!
    Depois de alguns carros, ganhei passagem. Mas aprendi a lição: eu sou um idiota tão grande que, até quando dou uma de esperto sem querer, faço papel de idiota.

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  • 08Apr

    Por Harry Peacock

    goddelusion

    Já disse Gilberto Gil: “Se eu quiser falar com Deus, tenho que me aventurar”. Não mais, ministro. Num esforço de reportagem investigativa, descobrimos que Deus tem um site e, se não fala diretamente com a gente, responde com gentileza nossas perguntas. Acessamos www.deusvirtual.com.br e descobrimos um Deus bondoso, sábio e espirituoso, cujas respostas você confere logo abaixo. Com vocês, Deus.

    Harry Peacock:

    1. Descobrir que Deus usa internet e email é uma surpresa e tanto. Sabendo que o Senhor utiliza as facilidades da tecnologia, pergunto: que sistema Deus usou para criar o mundo em apenas sete dias? Mac ou PC?

    Deus:

    O primeiro mundo Eu fiz em 3 dias no MAC. Lindo, estável, funcional, sem vírus, mas não pegou. Aí usei o PC e fiz em 7 cheio de bugs, vírus, resets e ameaças e vendeu que nem água… dá para acreditar!?!

    H.P.:

    2. Como o Senhor se sente ajudando pessoas do mundo inteiro por email? Aliás, o Senhor atende pessoas de todo o mundo? Deus responderia uma pergunta enviada em papiamento, por exemplo?

    D.:

    Fico muito feliz de resolver os problemas sem sair de casa, tenho um pouco de pânico devido à violência dos dias de hoje e já estou pensando até em implementar uma video conferência virtual . A linguagem de Deus é universal. Respondo a todos, até em papiamento, quem não gosta de um bom papiamento? Um Deus moderno sabe que o google translator está ai para isso.

    H.P.:

    3. Deus é pai, mas quem é a mãe?

    D.:

    Dona Carolina, pois ela acredita realmente que Eu sou Deus. Eu também acredito, mas mãe mesmo é a do juíz de futebol, essa é uma santa.

    H.P.:

    4. Será que a frase “Deus escreve certo por linhas tortas” não teria influenciado os médicos a: 

    a) escrever receitas indecifráveis, ou: 

    b) pensar que são Deus, ou ainda: 

    c) escrever receitas indecifráveis porque pensam que são Deus? 

    D.:

    Letra de médico é ruim, pois eles têm que escrever muito rápido na faculdade, daí são criados os primeiros hieróglifos da era moderna e os primeiros hoax de BANANA NA VEIA, BANANA NA VÉIA (e a véia não reclamou). Certamente C, mas a questão é o farmacêutico, que tem um pacto com o Diabo para entender a receita e não mandar a gente pro inferno. Tudo é virose, mas só Deus é poder. 

    H.P.:

    5. Meu carro é dirigido por mim, mas guiado pelo Senhor. Posso passar os pontos que tenho na carteira para o Seu nome?

    D.:

    Isso é balela, Eu nem sei dirigir! Tem gente que acha que Eu vou andar por aí arrebatando gente ao volante para deixar o carro desgovernado por aí. Quem dirige não vai pro céu, pois esta poluindo o planeta. Whe are the world.

    H.P.:

    6. Maradona fez um gol decisivo na Copa do Mundo de 1986, em um lance conhecido como “A Mão de Deus”. Se o Senhor é mesmo brasileiro, como foi possível a Argentina ser campeã e – pior ainda – com um gol que leva o Seu nome?

    hands_of_god

    D.:

    A Minha mão estava apertando as bolas dele, dai ele não conseguir cabecear e usar a mão.

    H.P.:

    7. “Deus é grande”. “Deus está nos detalhes” O Senhor não acha que este tipo de contradição gera confusão em nome do Senhor? 

    D.:

    Liga pro 0800, mas vou anotar aqui o seu problema. Posso até mudar para “Deus é grande nos detalhes”… quer que lhe envie o numero de protocolo pro seu numero de celular?

    H.P.:

    8. E, se Deus é grande mesmo, quanto o Senhor mede?

    D.:

    Entre um-meia-nove e um-sete-um.

    H.P.:

    9. Seriam as frases de para-choque que citam o Senhor uma ação de marketing de guerrilha de Deus?

    D.:

    Da maneira que o pessoal dirige e bebe é propaganda do belzebu.

    H.P.:

    10. Usei o nome “Deus” em todas as perguntas feitas ao Senhor nesta entrevista. Tecnicamente, teria eu, o entrevistador, pecado por usar o Santo Nome em vão?

    D.:

    Não! Eu te dou toda a licença do mundo. Tá comigo, tá com Deus.

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    Entenda melhor o nosso entrevistado.         Leia Paul Arden.

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  • 07Apr

    por Harry Peacock

    Salve, colegas!

    Depois de inúmeras e infrutíferas tentativas de entrevistar Muhammad Ali, resolvi responder as perguntas que gostaria de fazer a ele com respostas que fornecidas por um dos maiores boxeadores de todos os tempos, o verdadeiro mr. Eye of the Tiger, para perguntas feitas para o NY Times e para a revista Esquire, entre outros veículos menores. Gostei tanto da minha solução genial para este problema que prometo voltar com mais entrevistas de celebridades usando este método, que já batizei de harrypeacokiano. Por enquanto, com vocês, Muhammad Ali.

    Harry Peacock:

    1. Sr. Muhammad Ali, é um prazer receber aqui no Blog da Dez alguém tão amado e admirado em todo o planeta.

    Muhammad Ali:

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    “Eu gostaria que as pessoas amassem todo mundo do mesmo jeito que me amam. Viveríamos em um mundo melhor.”

    H.P.:

    2. Entrando no assunto Dez. A agência é conhecida pelos seus métodos coletivos de trabalho, onde os departamentos se unem para tocar tarefas que, em uma abordagem tradicional, são respondidos por apenas uma área técnica da agência. O que o sr. acha disso?

    M.A.

    “Quanto mais ajudamos aos outros, mais ajudamos a nós mesmos.”

    H.P.

    3. Outra característica da Dez é o uso do humor na propaganda…

    M.A.

    “A comédia é um jeito engraçado de dizer a verdade. Meu jeito de fazer piadas é contando a verdade. Esta é a piada mais engraçada do mundo.”

    H.P.

    4. Linda resposta. Criativa como a Dez.

    M.A.

    “O homem que não tem imaginação não tem asas.”

    H.P.

    5. A Dez mudou recentemente a sua estrutura diretiva, com Mauro Dorfman assumindo a Presidência da agência. 

    M.A.

    “Deus não coloca um peso nos ombros de um homem se souber que ele não pode carregá-lo.”

    H.P.

    6. Que conselho você daria para o Presidente? 

    M.A.

    “Um homem que vê o mundo aos 50 do mesmo jeito que via aos 20 perdeu 30 anos de sua vida.”

    H.P.

    7. Você acha que ele vai enfrentar dificuldades, já que há uma crise de dimensões globais?

    M.A.

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    “O sol sempre está brilhando em algum lugar.”

    H.P.

    8. Mas as respostas para a crise estão difusas. Muita gente importante, até agora, não falou sobre ela.

    M.A.

    “O silêncio é de ouro quando você não consegue pensar em uma boa resposta.” 

    H.P.

    9. Estamos chegando ao final de nossas Dez perguntas. O sr. Gostaria de deixar uma mensagem de otimismo para a equipe da Dez?

    M.A.

    “Quando você está certo, ninguém se lembra. Quando você está errado, ninguém esquece.”

    H.P.:

    10. Pô, Ali, que baixo astral! Manda outra aí. Manda uma para o Cavinato, que tá sem namorada…

    M.A.:

    “O amor é uma rede que captura corações como se fossem peixes.”

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  • 12Feb

    Carlos Saul Duque

    1. Não é mole não, meu irmão… não é mole não, o povo escolheu a praia, isso é que é diversão.

    Fabio Succi, internauta, comentando a notícia “TVs desligadas batem recorde na Grande SP” na coluna Outro Canal no site da Folha de São Paulo.

    2. Melhor passar este (aniversário) sem beber do que não passar mais nenhum. Fiquei deitadinho, fazendo nebulização, fisioterapia e tomando uns vinte e pouco remédios.

    Zeca Pagodinho, cantor e entusiasta da cerveja, falando na Veja sobre a sua hospitalização por causa de uma pneumonia.

    3. A periferia permanece de forma profunda na minha vida. Apesar de buscar cultura e informações, continuo um negão grosso. 

    Álvaro, zagueiro do Internacional, ex-morador de favela e filho de pai alcóolatra. Quando jogou na Europa, frequentou leilões de arte, livros e documentos antigos (já tem uma biblioteca com mais de mil exemplares) e fez turismo cultural no Egito e Arábia. Sua casa é decorada com réplicas dos grandes mestres da pintura.

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    4. A idéia é que seja feito um ato de gentileza aleatória cada vez que a roupa é vestida – é convidar alguém para um café, oferecer seu lugar no ônibus, ajudar um bêbado a chegar em casa.

    Cameron, 18 anos, proprietário da ARK – Acts or Random Kindness. A empresa da Irlanda do Norte produz uma linha de camisas masculinas e femininas que quer inspirar seus consumidores a serem gentis cada vez que vestirem os seus produtos.

    5.  A etapa “São todos uns filhos da puta” eu já passei. Estão todos perdoados.

    Blanca Romero, atriz espanhola, explicando a sua evolutiva relação com os homens na edição ibérica da revista Esquire.

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    6. Sim, a gente serve pizza, mas das boas.

    Daniel Filho, cineasta, diretor de “Se eu fosse você” 1 e 2, levando na boa o comentário maldoso de um internauta que o chamou de “fazedor de pizzas”. O primeiro filme da série teve 3,6 milhões de espectadores e o segundo já tem 4,5 milhões em apenas cinco semanas e está na espectativa de quebrar o recorde nacional de 5,4 milhões de “2 Filhos de Francisco”.

    7. O mercado acionário brasileiro parece caminhar na contramão do mundo, pelo menos por enquanto.

    Conclusão (óbvia, diga-se) do jornal Financial Times ao deparar-se com os dois meses de subida consecutiva da Bovespa. A Bolsa de São Paulo emplacou 4,66% positivos em janeiro enquanto o índice Dow Jones amargava 8,84% negativos.

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    8. Como pudemos ser tão burros?

    Refrão repetido por vários analistas durante o debate “O Que Deu Errado” no Fórum Econômico Mundial, em Davos.

    9. A economia brasileira crescerá em 2009.

    Não, não foi o Lula ou a Dilma quem fez este comentário otimista, mas o portal Infomoney, considerado “O Maior Portal Econômico do Brasil”.
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    10. Hoje você vê a flor. Agradeça a semente de ontem.

    Frase encontrada várias vezes nos diários, álbuns fotográficos e cartas de Haruo Ohara (1909-1999), autor das fotos que ilustram este post. Ohara nasceu no Japão e emigrou para o Brasil aos 17 anos. Foi lavrador e fotógrafo durante toda a sua vida no interior do Paraná e, como você pode ver, plantou um jardim fotográfico maravilhoso.

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