• 05May

    Carlos Saul Duque

    Em 1974, o economista Edmar Bacha criou uma expressão que, até pouco tempo, ainda definia a distribuição de renda no Brasil: Belíndia, uma mistura de uma pequena e riquíssima Bélgica encravada em uma enorme e paupérrima Índia. A palavra encaixou-se como uma luva no momento do país e foi usada à exaustão por outros economistas, professores, jornalistas e políticos pelas décadas que se seguiram.
    Hoje podemos afirmar que não existe mais uma Belíndia. Ok, estamos muito, mas muito longe do ideal, mas a comparação com a Índia de 1974 não se encaixa mais em um Brasil que vive o melhor momento sócio-econômico de sua história graças a inúmeros fatores externos e internos que favoreceram o nosso desenvolvimento.
    O Brasil de hoje também não é mais uma Bélgica. Com todo o respeito aos belgas, ele ocupa uma posição de destaque no cenário internacional que o pequeno país europeu nunca teve, por mais que de lá tenham saído Django Reinhard, Magritte e Rubens, além de ser o berço da melhor cerveja do mundo, do saxofone, do Tintin e da escola belga de quadrinhos (ok, Jean-Claude Van Damme também é belga. Mas tem a Audrey Hepburn para contrabalançar).
    Aos poucos, vamos crescendo. E aos trancos e barrancos vamos tentando evoluir, tropeçando nas próprias pernas longas deste crescimento para ultrapassar a nossa adolescência como sociedade.
    É notório que há mais dinheiro. Que tem frango na mesa do pobre. Que temos acesso à tecnologia sem as restrições do passado. Que as soluções mágicas, sejam elas planos econômicos mirabolantes ou golpes de estado, estejam quase desaparecendo no retrovisor do país. Mas será que já estão presentes neste cenário tão favorável os ingredientes fundamentais para que o país realmente ofereça um salto de qualidade de vida para os brasileiros?
    Outro dia, na palestra do Fronteiras do Pensamento em Porto Alegre, o neurocientista Miguel Nicolelis, quando perguntado sobre o futuro do Brasil, respondeu:
    - O conhecimento, acima de qualquer coisa, é o verdadeiro agente de transformação de uma nação.
    O doutor Nicolelis é um dos brasileiros mais brilhantes que eu já tive o prazer de ouvir e falou com paixão e entusiasmo sobre o futuro que ele imagina para a ciência e para o país. E tocou em uma questão importante.
    É do conhecimento que vem a educação. A civilidade. O crescimento como ser humano. E, sim, a riqueza material. É ele que abre a porta de mundos muito distantes, amplia o horizonte de quem só prevê nuvens cinzas no seu futuro.
    Um país que democratiza o conhecimento tem menos motoristas intolerantes. Menos gente no tráfico. Menos crianças na prostituição. Menos políticos amorais. Menos funcionários públicos incompetentes. Menos doentes. Menos armas. E, por consequência, menos mortes por acidente de trânsito, overdose, doenças sexuais, insuficiência pública, epidemias, tiros.
    A Belíndia ficou mesmo para trás, mas deu lugar ao Suistão. Uma Suiça onde os bancos são confiáveis, os relógios são suíços e o povo fala várias línguas. Cercada por um Qualquerdistão que rouba bancos com dinamite, onde se mata no semáforo pelo Rolex e o povo não fala nem o português.
    Mais uma pergunta para o doutor Nicolelis: “O que o senhor faria se fosse presidente da república?”
    - Eu colocaria os ministros da Economia e da Fazenda lá atrás. E, bem na frente, os ministros da Educação, da Cultura e da Saúde, e perguntaria para estes últimos: o que  precisamos fazer? Com a resposta na mão, diria para os ministros da Economia e da Fazenda: tornem isso possível.
    Eu morei na Belíndia e, atualmente, fixei residência no Suistão. Meu sonho é que meus filhos possam morar, com orgulho e confiança no futuro, neste país maravilhoso que pode ser o Brasil.

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  • 30Jun

    Resultado final do Brasil em Cannes: um Leão de PR, dois de Cyber, seis de Media, sete de Design, um de Radio, cinco de Outdoor, sete de Press e três de Film. Se contarmos o título de “Agência do Ano” que a DDB Brasil levou, são 33 premiações contra as 41 de 2008. Na média, um resultado muito parecido.

    Na média. Dois Leões de Cyber é um resultado pífio para um país que costuma liderar a categoria. Nenhum Leão em Direct, nem em Titanium, nem em Integrated, nem em Promo e apenas um em PR; nenhuma premiação em Young. Meu amigo, é neste ponto que a porca torce o rabo.

    Mil Casmurros: unico Leão de PR para o Brasil. Criação da LiveAD

    O futuro reside nestas novas categorias e na capacidade da propaganda brasileira de produzir novos talentos. E se formos analisar o desempenho do Brasil sob este ponto de vista, fomos muito mal. Cannes este ano mostrou uma vontade contagiante de ir buscar o terreno que perdeu nos últimos anos. O mundo agora é digital, viral, interativo, comandado pelo consumidor. O GP de filme veio da categoria interativa. Os principais candidatos de todas as categorias, salvo raras exceções, já eram conhecidos de milhares, de milhões, através do youtube. E as expectativas geradas pelos números de cliques ou de views, via de regra se confirmaram. O long list de Cannes, uma vez imprescindível para qualquer publicitário que se preze, tornou-se alternativo. O bom e produtivo era acompanhar os debates, os workshops e até mesmo as masterclasses para os Young Lions que eram abertas aos delegados em geral. Foi muito mais interessante e divertido assistir ao papo aberto da masterclass de Andy Berndt, Diretor Global de Criação do Google, do que aguentar os mais de 200 filmes da categoria Cars.

    Agora a boa notícia.

    Para quem está no mercado há mais tempo é comum ouvir em papos de veteranos que o mercado já não é mais o mesmo. Que o prazer que existia em realizar um grande filme, publicar um anúncio diferenciado, hoje em dia está reduzidíssimo, seja porque os clientes endureceram, ou porque o Planejamento tomou as rédeas do processo, ou porque as agências não conseguem mais impôr a sua pegada aos clientes, ou porque o Michael Jackson morreu no mesmo dia em que a Farrah Fawcett.

    Eu mesmo, nos últimos anos, tenho sentido este abatimento em relação ao horizonte que se abre na nossa frente. Sem dúvida, hoje em dia está muito mais difícil emplacar um bom trabalho sem ter que se adequar ao que diz o Planejamento, o Conar, a mulher do cliente, o pré-teste, o guru, as senhoras de Santana, a redução de orçamento e o que mais surgir no horizonte, jogando o instinto por terra e tornando tudo tão parecido e insosso. Fazendo com que uma parte dos trabalhos inscritos em Cannes só possa ser conhecidos efetivamente em Cannes, por falta de oportunidade anterior. Salvo raras e nobres exceções.

    Nestes últimos anos, minha desesperança em realmente ter prazer em fazer o que faço foi sendo diminuída pela tecnologia e suas ferramentas de comunicação. Um novo mundo que não para de se abrir com a internet e tudo que a rodeia, e com o que traz de surpreendente e emocionante, me trouxe de volta a alegria de trabalhar em comunicação. Ver o que se está fazendo em termos de integração de meios e uso das novas tecnologias é uma das coisas mais estimulantes que existe. E, para uma cabeça de quase cinco décadas, um combustível que leva a uma novo olhar ou à morte profissional. Definitivamente, prefiro a primeira opção.

    Declaro aqui de volta, revogando todas as disposições em contrário, a alegria e o prazer de trabalhar.

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  • 07Apr

    por Harry Peacock

    Salve, colegas!

    Depois de inúmeras e infrutíferas tentativas de entrevistar Muhammad Ali, resolvi responder as perguntas que gostaria de fazer a ele com respostas que fornecidas por um dos maiores boxeadores de todos os tempos, o verdadeiro mr. Eye of the Tiger, para perguntas feitas para o NY Times e para a revista Esquire, entre outros veículos menores. Gostei tanto da minha solução genial para este problema que prometo voltar com mais entrevistas de celebridades usando este método, que já batizei de harrypeacokiano. Por enquanto, com vocês, Muhammad Ali.

    Harry Peacock:

    1. Sr. Muhammad Ali, é um prazer receber aqui no Blog da Dez alguém tão amado e admirado em todo o planeta.

    Muhammad Ali:

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    “Eu gostaria que as pessoas amassem todo mundo do mesmo jeito que me amam. Viveríamos em um mundo melhor.”

    H.P.:

    2. Entrando no assunto Dez. A agência é conhecida pelos seus métodos coletivos de trabalho, onde os departamentos se unem para tocar tarefas que, em uma abordagem tradicional, são respondidos por apenas uma área técnica da agência. O que o sr. acha disso?

    M.A.

    “Quanto mais ajudamos aos outros, mais ajudamos a nós mesmos.”

    H.P.

    3. Outra característica da Dez é o uso do humor na propaganda…

    M.A.

    “A comédia é um jeito engraçado de dizer a verdade. Meu jeito de fazer piadas é contando a verdade. Esta é a piada mais engraçada do mundo.”

    H.P.

    4. Linda resposta. Criativa como a Dez.

    M.A.

    “O homem que não tem imaginação não tem asas.”

    H.P.

    5. A Dez mudou recentemente a sua estrutura diretiva, com Mauro Dorfman assumindo a Presidência da agência. 

    M.A.

    “Deus não coloca um peso nos ombros de um homem se souber que ele não pode carregá-lo.”

    H.P.

    6. Que conselho você daria para o Presidente? 

    M.A.

    “Um homem que vê o mundo aos 50 do mesmo jeito que via aos 20 perdeu 30 anos de sua vida.”

    H.P.

    7. Você acha que ele vai enfrentar dificuldades, já que há uma crise de dimensões globais?

    M.A.

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    “O sol sempre está brilhando em algum lugar.”

    H.P.

    8. Mas as respostas para a crise estão difusas. Muita gente importante, até agora, não falou sobre ela.

    M.A.

    “O silêncio é de ouro quando você não consegue pensar em uma boa resposta.” 

    H.P.

    9. Estamos chegando ao final de nossas Dez perguntas. O sr. Gostaria de deixar uma mensagem de otimismo para a equipe da Dez?

    M.A.

    “Quando você está certo, ninguém se lembra. Quando você está errado, ninguém esquece.”

    H.P.:

    10. Pô, Ali, que baixo astral! Manda outra aí. Manda uma para o Cavinato, que tá sem namorada…

    M.A.:

    “O amor é uma rede que captura corações como se fossem peixes.”

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  • 26Mar

    Carlos Saul Duque

     

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    Há duas palavras que te abrirão

    muitas portas: puxe e empurre.

    Les Luthiers, grupo de músicos-comediantes

    argentinos que você já deveria ter conhecido.

     

    photonakedgun

    Sim, é verdade que me chamaram de “O Laurence Olivier das paródias”.

    Creio que isso converte Laurence Olivier em “O Leslie Nielsen de Shakespeare”.

    Leslie Nielsen, astro de Corra que a polícia vem aí e

    Apertem os cintos, o piloto sumiu, entre outras paródias nada shakespearianas.

     

    woodyallen

    Mais do que em qualquer outra época,

    a humanidade está numa encruzilhada.

    Um caminho leva ao desespero absoluto.

    O outro, à total extinção. Vamos rezar para

    que tenhamos a sabedoria de saber escolher.

    Woody Allen, pessimista ortodoxo.

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    Eu acho a televisão muito educativa.

    Toda a vez que alguém liga um aparelho

    eu vou para outra sala ler um livro.

    Groucho Marx, gênio da raça.

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    Eu acredito piamente que o sexo

    é uma das coisas mais bonitas, naturais

    e saudáveis que o dinheiro pode comprar.

    Steve Martin, cabeça branca cabeça-feita.

     


     

    tim

    Eu não fumo, não bebo e não cheiro.

    Meu único defeito é que eu minto um pouco.

    Tim Maia, o síndico.

     

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    Senso de humor é o sentimento

    que faz você rir daquilo que o deixaria

    louco de raiva se acontecesse a você.

    Barão de Itararé, o cara.

     

    mario-quintana

    Há 2 espécies de chatos: os chatos propriamente ditos

    e os amigos, que são os nossos chatos prediletos.

    Mário Quintana, muy amigo.

     

    jobim

    Nenhuma situação é tão complicada que uma mulher não possa piorar.

    Tom Jobim admitindo que as mulheres são criaturas muito mais sofisticadas que os homens.

     

    mark-twain

    Devo ter uma enorme quantidade de inteligência;

    às vezes até levo uma semana para a colocar em movimento.

    Mark Twain, mas poderia ser o Chapolin Colorado.


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  • 12Feb

    Carlos Saul Duque

    1. Não é mole não, meu irmão… não é mole não, o povo escolheu a praia, isso é que é diversão.

    Fabio Succi, internauta, comentando a notícia “TVs desligadas batem recorde na Grande SP” na coluna Outro Canal no site da Folha de São Paulo.

    2. Melhor passar este (aniversário) sem beber do que não passar mais nenhum. Fiquei deitadinho, fazendo nebulização, fisioterapia e tomando uns vinte e pouco remédios.

    Zeca Pagodinho, cantor e entusiasta da cerveja, falando na Veja sobre a sua hospitalização por causa de uma pneumonia.

    3. A periferia permanece de forma profunda na minha vida. Apesar de buscar cultura e informações, continuo um negão grosso. 

    Álvaro, zagueiro do Internacional, ex-morador de favela e filho de pai alcóolatra. Quando jogou na Europa, frequentou leilões de arte, livros e documentos antigos (já tem uma biblioteca com mais de mil exemplares) e fez turismo cultural no Egito e Arábia. Sua casa é decorada com réplicas dos grandes mestres da pintura.

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    4. A idéia é que seja feito um ato de gentileza aleatória cada vez que a roupa é vestida – é convidar alguém para um café, oferecer seu lugar no ônibus, ajudar um bêbado a chegar em casa.

    Cameron, 18 anos, proprietário da ARK – Acts or Random Kindness. A empresa da Irlanda do Norte produz uma linha de camisas masculinas e femininas que quer inspirar seus consumidores a serem gentis cada vez que vestirem os seus produtos.

    5.  A etapa “São todos uns filhos da puta” eu já passei. Estão todos perdoados.

    Blanca Romero, atriz espanhola, explicando a sua evolutiva relação com os homens na edição ibérica da revista Esquire.

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    6. Sim, a gente serve pizza, mas das boas.

    Daniel Filho, cineasta, diretor de “Se eu fosse você” 1 e 2, levando na boa o comentário maldoso de um internauta que o chamou de “fazedor de pizzas”. O primeiro filme da série teve 3,6 milhões de espectadores e o segundo já tem 4,5 milhões em apenas cinco semanas e está na espectativa de quebrar o recorde nacional de 5,4 milhões de “2 Filhos de Francisco”.

    7. O mercado acionário brasileiro parece caminhar na contramão do mundo, pelo menos por enquanto.

    Conclusão (óbvia, diga-se) do jornal Financial Times ao deparar-se com os dois meses de subida consecutiva da Bovespa. A Bolsa de São Paulo emplacou 4,66% positivos em janeiro enquanto o índice Dow Jones amargava 8,84% negativos.

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    8. Como pudemos ser tão burros?

    Refrão repetido por vários analistas durante o debate “O Que Deu Errado” no Fórum Econômico Mundial, em Davos.

    9. A economia brasileira crescerá em 2009.

    Não, não foi o Lula ou a Dilma quem fez este comentário otimista, mas o portal Infomoney, considerado “O Maior Portal Econômico do Brasil”.
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    10. Hoje você vê a flor. Agradeça a semente de ontem.

    Frase encontrada várias vezes nos diários, álbuns fotográficos e cartas de Haruo Ohara (1909-1999), autor das fotos que ilustram este post. Ohara nasceu no Japão e emigrou para o Brasil aos 17 anos. Foi lavrador e fotógrafo durante toda a sua vida no interior do Paraná e, como você pode ver, plantou um jardim fotográfico maravilhoso.

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