• 12May

    Carlos Saul Duque

    1. Comprar um tablet

    Está acontecendo. Tablets vão mudar definitivamente a relação que temos com os computadores. Falando especificamente do iPad, o bicho é tão intuitivo que eu não teria problemas de dar um de presente para os meus pais, um casal de mais de 70 anos. A tela de toque torna tudo tão simples – e a Apple torna tudo tão desejável – que o mercado está sendo inundado pelo novo gadget: o iPad número 1 milhão foi vendido no dia 30 de abril passado nos Estados Unidos (e já foram baixados 12 milhões de aplicações e 1,5 milhão de ebooks para o tablet).

    A revolução iniciou com o iPhone, mas quem vai colocar a cabeça das máquinas convencionais na guilhotina vai ser o iPad.

    Jony Ive, vice-presidente senior de design da Apple, conta o segredo, que é irritantemente simples: “eu não tenho que mudar para me adaptar ao produto, o produto é que se adapta a mim.” Dê uma olhada no promo do Ipad e veja com seus próprios olhos.

    A importância do lançamento do iPad rendeu capa e matéria longuíssima da Wired, a bíblia da tecnologia. Além do texto principal, 11 cabeças pensantes da tecnologia também escrevem, se rasgam em elogios e fazem previsões sobre o futuro dos negócios, dos games, das comunicações pessoais, do armazenamento de informações e da vida comum sob o impacto dos tablets.

    Kevin Kelly, editor executivo fundador da Wired, rasga a seda: “você vai ter uma TV que se lê, livros que você assiste, filmes que você toca.” E vai mais longe dizendo que, até pouco tempo, os computadores e seus similares podiam “ver” apenas a ponta dos dedos de quem digitava em seu teclado. Com os tablets, a relação se acelera em direção à troca total. A previsão é que a própria tela se transformará em uma grande lente, fazendo que o aparelho observe você ao mesmo tempo em que você observa o seu conteúdo. E assim os gestos e os movimentos do corpo serão mais importantes do que a ponta dos nossos dedos, acabando com a “tirania do teclado”.

    Parafraseando Jony Ive, você não vai ter que mudar para ter um tablet. Mas vai ter que usar um tablet para se adaptar ao novo mundo. E esta é uma boa notícia.

    2. Trocar o vaso sanitário da sua casa

    Cada vez eu me convenço mais que são as ideias simples e as pessoas comuns que vão fazer o nosso planeta viável novamente. Países são corporações, com interesses de corporações. Pessoas comuns tem pequenos interesses, geralmente centrados no seu próprio bem estar e, por isso, egoístas e focados na satisfação (ou vantagem) imediata.
    Ideias simples como esta da Roca (que ganhou o Wallpaper Design Awards e o Design Award Design Plus em 2010) são capazes de quebrar este círculo vicioso.

    Uma pia que é vaso e usa a água já utilizada na torneira para a descarga sanitária. Brilhante não apenas porque é simples, mas também por não exigir o menor esforço – ou desprendimento – do cidadão. Pode mandar entregar o Nobel para o designer.

    3. Ter um robô

    Quando eu era criança, queria muito ter um robô com toda a tecnologia da época: bate-e-volta, duas pilhas grandes, luzes piscantes e lançador de faíscas de espoleta.
    O Kondo KHR-3HV tem 17 servo-motores, 17 eixos, sensores de última geração, bateria NiMH recarregável em 1,5 hora. Dos multiplos movimentos que tem, faz apoios e, como bom japonês, sabe fazer a referência oriental.

    O Kondo é apenas um brinquedo, mas a robótica já prepara humanóides para serem parte do dia-a-dia. Há no mercado vários eletrodomésticos robotizados, mas enfermeiros, serventes e até parceiros sexuais, daqui a pouco estarão nas vitrines.

    A empresa francesa Aldebaran já tem um humanóide de 50cm chamado Nao que entra no mercado este ano. Ele lê em voz alta e reconhece rostos. Custa 15 mil dólares, mas o fabricante garante que ele não faz cocô no tapete, nem arranha os móveis da sala.

    4. Colocar a sua vida na nuvem.

    Se você já sabe, pule este parágrafo, mas o conceito de cloud computing ou computação na nuvem é a ideia de se utilizar através da internet aplicações e serviços não instalados na sua máquina, não interessando o lugar que se está ou a plataforma utilizada. Isto com a mesma facilidade e velocidade, como se tudo estivesse fisicamente instalado no seu computador.

    A venda de softwares ainda é um grande negócio, mas a venda de CDs também era nos anos 90. A vida digital abocanhou inúmeros atos do cotidiano – coleção de músicas, lista telefônica e agenda, por exemplo – e até mesmo ocasiões extraordinárias. Fotos de viagem, convites de casamento, vídeos de formatura, cartas ressentidas de ex-namorados, tudo foi para o seu computador. E agora está rapidamente subindo para a nuvem.

    Há uma regra básica em tecnologia que diz: toda a inovação acabará usurpada por alguém que faz a mesma coisa ou mais barato, ou com mais eficiência, ou com mais elegância. O computador da era web deixou para trás um cemitério de marcas que não conseguiram se adaptar. A nuvem já está fazendo o mesmo. O Google é como um aspirador de pó que suga tudo para a rede. As redes sociais são prateleiras virtuais onde colocamos nossas fotos e bibelôs. Não gaste dinheiro em armários. Invista o que você tem em velocidade de processamento e banda larga.

    5.Usar o sistema operacional Google Chrome

    Google é uma empresa 110% internet. E acredita em um mundo sem arquivos, aplicativos  ou espaço de armazenamento físico. O Google Chrome Operating System trabalha com essa premissa, ele é a nuvem. E seu mantra é que a rede será o grande provedor de tudo que você precisa no seu computador. E com isso serão cinco as vantagens de trabalhar assim: custo, velocidade, compatibilidade, portabilidade e novas aplicações.
    O Google Chrome OS é um sistema aberto que foi lançado no final do ano passado. O Google prevê que ele realmente pegue lá por meados do segundo semestre de 2010. A empresa tem quebrado paradigma atrás de paradigma. Vamos ver.

    6. Dirigir um veículo movido a thorium

    Ele é superseguro, verde e limpo. E tem sobrando: o que existe no mundo poderia abastecer o consumo americano de energia por mil anos.

    O thorium (ou tório) é um metal natural, ligeiramente radioativo, nomeado em homenagem ao deus escandinavo Thor. Foi descoberto em 1928 pelo químico sueco Jöns Jacob Berzelius. Quando aquecido no ar, o metal de thorium pega fogo e produz uma luz branca brilhante. Por isso tem diversas utilizações, a mais mundana delas é revestir aquela telinha que se acende nos lampiões a gás.

    Pois o thorium, vejam só, ao ser utilizado como combustível para usinas nucleares, deixa resíduos minúsculos, que precisam ser armazenados apenas por centenas de anos (ao contrário do resíduo do urânio, que precisa de milhares de anos). E, por existir em abundância na natureza, é praticamente interminável. E ainda: é virtualmente impossível de ser utilizado por terroristas para produzir armas nucleares.

    Durante a guerra fria, o governo americano optou pelo urânio para suas usinas nucleares, pois assim era possível produzir plutônio que, refinado, é uma arma nuclear. Os tempos agora são de revival do thorium. Então vamos torcer por ele.

    7. Ser o proprietário de um órgão artificial…

    Nenhuma novidade: corações, articulações, dentes, há uma série de órgãos e próteses humanas disponíveis no mercado. Algumas funcionando com muita eficiência, outras que exigem disciplina e paciência do proprietário para que não haja problemas.

    Mas a velocidade com que a tecnologia caminha também está trazendo progressos para o mercado de peças de reposição humanas. Já existe, por exemplo, um pâncreas artificial que substitui as medievais injeções de insulina e o controle frenético sobre as taxas de açúcar dos diabéticos. Controlado por computador, o aparelhinho fica na cintura do diabético, que tem um implante na barriga alimentando de dados pâncreas artifical para que ele administre a dose exata e necessária.

    O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis já provou que é possível captar o espaço temporal de um pensamento e como este é transformado em comando pelo corpo, o que vai permitir, tomara que em breve, que se controle membros robóticos com o cerebro. Um sonho para quem perdeu uma perna ou está preso a uma cadeira de rodas.

    Microrrobótica e nanorrobótica permitirão que robôs e máquinas orgânicos alimentados por açúcares do próprio corpo combatam internamente doenças. O professor Shozo Motoyama, especialista em História da Ciência da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, vai mais longe e aposta em tecnologias biomédicas apoiadas no desenvolvimento da biologia molecular, genética e informática.

    E ainda roga uma praga em nós, inúteis mortais: “Dentro de mais ou menos meio século, o nosso conhecimento da biotecnologia aliado ao avanço informático-computacional proporcionará não só a cura das doenças como aperfeiçoará biologicamente o ser humano que só morrerá por causa da sua própria burrice e egoísmo.”

    8. …ou ser salvo pelo próprio sangue

    Uma pequena empresa chamada TheraVitae, com escritório em Israel e hospitais na Tailândia e na República Dominicana, tem tratado pessoas com problemas no coração com o próprio sangue: tira-se 250ccs do sangue do paciente; as células-tronco são extraídas do sangue e estimuladas a crescer; depois, são injetadas diretamente no músculo cardíaco. O resultado tem sido o desenvolvimento destas células em tecido cardíaco saudável, regenerando e fortalecendo o coração.

    Apesar de ainda não ter sido aprovado pelo FDA, agência governamental americana que lida com o controle das indústrias alimentícias e de remédios, o tratamento está atraindo gente para os hospitais da TheraVitae, que se prepara para o caro e longo processo de aprovação para entrar nos Estados Unidos: os testes feitos no exterior servem como uma espécide de fase 1 para a FDA. A fase 2, em território americano, pode custar US$ 2 milhões e a fase 3, US$ 40 milhões.

    Atualmente há 50 tratamentos com células-tronco em testes nos EUA. O que significa que, sim, a probabilidade de você ser salvo pelo próprio sangue aumenta a cada minuto.

    9. Andar de trem no Brasil

    Enquanto o primeiro-mundo adota o trem-bala, o sistema ferroviário do Brasil está no prego. Mesmo assim, por mais que faça o lobby das transportadoras, dos fabricantes de pneus, das ambulâncias, dos donos de boteco de beira de estrada e todo o resto da cadeia comercial que se alimenta do transporte rodoviário, vai chegar uma hora que, sem trem, não vai dar.

    A roleta russa de abrir mais vias para caber mais carros e assim vender mais carros e por isso precisar de mais vias vai levar ao colapso geral. Morticínio, poluição, stress e desperdício são os quatro cavaleiros do apocalipse do modelo rodoviário. O Brasil precisa de trens de todos os tipos: urbanos, de longa distância, de passageiros e de carga. Ou vai à breca.

    O governo Obama está investindo 8 bilhões de dólares para retomar planos ferroviários abandonados. Cinco áreas urbanas americanas tem a população e a geografia necessárias para a instalação de trens-bala, verdadeiros foguetes movidos a alta voltagem e com muita, mas muita tecnologia embarcada.

    Você ainda vai andar de trem no Brasil. E não é porque bacana ou romântico, mas porque essa é a única alternativa, além dos barcos, para desafogar o grande nó aerorodoviário do nosso país continente.

    10. Mobiliar a casa com algo feito de garrafas pet

    “A humanidade encontrará o seu futuro na respiração das criancinhas. Elas soprarão o mundo como o mundo sopra vida em nossos dias. Elas celebrarão seus aniversários com o apetite insaciável que só as crianças têm. Encherão seus pulmões com o mais precioso dos elementos, ar, e ao invés de assoprar as velinhas, usarão a força mecânica de sua respiração para preencher formas sólidas com o seu ar.”

    Esta é a pra lá de poética apresentação da Sparkling Chair, cadeira criada pelo designer holandês Marcel Wanders, produzida de plástico PET, inspirada em uma garrafa do mesmo material. Ela foi apresentada no Salão Internacional do Móvel de Milão 2010.

    Ok, há tijolo de PET, abajur, barco, camiseta, vaso sanitário, tem até pufe do Shrek feito de garrafa PET reciclada. Mas o aparecimento de um objeto do alto design feito com PET inaugura uma outra fase. Que venham outros sparkling objects.

    E não esqueça que mais importante do que reciclar as garrafas é diminuir o seu uso. O ato de comprar água, combatido ferozmente em algumas cidades do mundo, é altamente anti-ecológico.

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  • 08May

    Carlos Saul Duque

    1…da Argentina (x2):

    3. Da Colômbia:

    4. Do Paraguai:

    5. Da França:

    6. Da Austrália:

    7. Da Espanha:

    8. Dos Estados Unidos:

    9. Do Brasil:

    10. Da Tailândia:

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  • 05May

    Carlos Saul Duque

    Em 1974, o economista Edmar Bacha criou uma expressão que, até pouco tempo, ainda definia a distribuição de renda no Brasil: Belíndia, uma mistura de uma pequena e riquíssima Bélgica encravada em uma enorme e paupérrima Índia. A palavra encaixou-se como uma luva no momento do país e foi usada à exaustão por outros economistas, professores, jornalistas e políticos pelas décadas que se seguiram.
    Hoje podemos afirmar que não existe mais uma Belíndia. Ok, estamos muito, mas muito longe do ideal, mas a comparação com a Índia de 1974 não se encaixa mais em um Brasil que vive o melhor momento sócio-econômico de sua história graças a inúmeros fatores externos e internos que favoreceram o nosso desenvolvimento.
    O Brasil de hoje também não é mais uma Bélgica. Com todo o respeito aos belgas, ele ocupa uma posição de destaque no cenário internacional que o pequeno país europeu nunca teve, por mais que de lá tenham saído Django Reinhard, Magritte e Rubens, além de ser o berço da melhor cerveja do mundo, do saxofone, do Tintin e da escola belga de quadrinhos (ok, Jean-Claude Van Damme também é belga. Mas tem a Audrey Hepburn para contrabalançar).
    Aos poucos, vamos crescendo. E aos trancos e barrancos vamos tentando evoluir, tropeçando nas próprias pernas longas deste crescimento para ultrapassar a nossa adolescência como sociedade.
    É notório que há mais dinheiro. Que tem frango na mesa do pobre. Que temos acesso à tecnologia sem as restrições do passado. Que as soluções mágicas, sejam elas planos econômicos mirabolantes ou golpes de estado, estejam quase desaparecendo no retrovisor do país. Mas será que já estão presentes neste cenário tão favorável os ingredientes fundamentais para que o país realmente ofereça um salto de qualidade de vida para os brasileiros?
    Outro dia, na palestra do Fronteiras do Pensamento em Porto Alegre, o neurocientista Miguel Nicolelis, quando perguntado sobre o futuro do Brasil, respondeu:
    - O conhecimento, acima de qualquer coisa, é o verdadeiro agente de transformação de uma nação.
    O doutor Nicolelis é um dos brasileiros mais brilhantes que eu já tive o prazer de ouvir e falou com paixão e entusiasmo sobre o futuro que ele imagina para a ciência e para o país. E tocou em uma questão importante.
    É do conhecimento que vem a educação. A civilidade. O crescimento como ser humano. E, sim, a riqueza material. É ele que abre a porta de mundos muito distantes, amplia o horizonte de quem só prevê nuvens cinzas no seu futuro.
    Um país que democratiza o conhecimento tem menos motoristas intolerantes. Menos gente no tráfico. Menos crianças na prostituição. Menos políticos amorais. Menos funcionários públicos incompetentes. Menos doentes. Menos armas. E, por consequência, menos mortes por acidente de trânsito, overdose, doenças sexuais, insuficiência pública, epidemias, tiros.
    A Belíndia ficou mesmo para trás, mas deu lugar ao Suistão. Uma Suiça onde os bancos são confiáveis, os relógios são suíços e o povo fala várias línguas. Cercada por um Qualquerdistão que rouba bancos com dinamite, onde se mata no semáforo pelo Rolex e o povo não fala nem o português.
    Mais uma pergunta para o doutor Nicolelis: “O que o senhor faria se fosse presidente da república?”
    - Eu colocaria os ministros da Economia e da Fazenda lá atrás. E, bem na frente, os ministros da Educação, da Cultura e da Saúde, e perguntaria para estes últimos: o que  precisamos fazer? Com a resposta na mão, diria para os ministros da Economia e da Fazenda: tornem isso possível.
    Eu morei na Belíndia e, atualmente, fixei residência no Suistão. Meu sonho é que meus filhos possam morar, com orgulho e confiança no futuro, neste país maravilhoso que pode ser o Brasil.

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  • 16Mar

    Carlos Saul Duque

    1. O homem azul

    O americano Paul Karason foi ficando azul aos poucos. Ele começou a azular aos 14 anos sem razão aparente. Dica do blog: antes de iniciar qualquer tratamento dermatológico como medicamento à base de prata coloidal, consulte o seu médico.

    2. Cocô Surf

    Porto Alegre foi a capital dos esportes radicais por um dia em 2009. Veja porquê.

    3. Robôs gigantes

    Mania de japonês levada ao extremo. Robôs de até 50 toneladas podem ser encontrados em vários cantos do país como o Wakamatsu Park, em Kobe, e no Shiokaze Park nos arredores de Tóquio, ambos construídos durante 2009. São super-réplicas de personagens da TV ou quadrinhos. Gundan, o robô branco abaixo, pertence a uma das mais famosas séries da TV japonesa.

    4. Até que a morte…

    Em novembro de 2008, Magali Jaskiewicz e Jonathan Goerge moravam juntos havia seis anos e já tinham duas filhas quando deram entrada nos papéis e marcaram o casamento para janeiro de 2009. Dois dias depois, Goerge morreu. em um acidente. Magali, pra não jogar os bem-casados fora, apoiou-se um artigo do código civil francês que permite o casamento com uma pessoa falecida se ela já havia oficialmente dado início ao processo formal para realizar a união.

    5. Nerd japonês se casa com personagem de videogame

    Identificado apenas como Sal9000, o sujeito casou-se com um personagem do game Love Plus, do console Nintendo DS. O casamento foi celebrado em festival de tecnologia em Tóquio por um padre (que insistiu que a cerimônia não era de verdade). O nipogamer, antes do casamento “religioso”, já tinha celebrado a união civil em uma praia japonesa, onde as leis quanto ao matrimônio são menos rígidas.

    6. Os amigos bizarros do Ricardinho

    De Viamão para o mundo. Depois do Festival de Brasília, o insólito “Os amigos bizarros do Ricardinho”, do diretor Augusto Canani, começa sua carreira internacional no festival New Directors/New Films no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. O curta foi o único trabalho selecionado em toda a América Latina. Ricardinho Lilja é um personagem da vida real: é arte-finalista e já trabalhou em várias agências de Porto Alegre – a Dez entre elas. Canani foi Diretor de Criação da Dez e está no seu segundo curta. Dica de quem já viu: bizarro é apelido para os amigos viamonenses do Ricardinho.

    7. Gênios da raça

    Na falta de máscaras, os ladrões americanos Matthew Alla McNelly e Joey Lee Miller pintaram a cara com caneta permanente e escreveram seus nomes nos anais da burrice mundial. Merecem perpétua.

    8. Sutiã anti-terror

    Paródia do Nobel, o IgNobel elege as pesquisas mais inusitadas e é patrocinado por uma revista de humor da Universidade de Harvard, a Annals of Improbable Research (ou “Anais da Pesquisa Improvável”). O grande prêmio de saúde pública 2009 foi para a equipe de Elena Bodnar, de Hinsdale, Illinois, que desenhou e patenteou um sutiã que pode ser convertido rapidamente em duas máscaras de gás: um para a usuária do sutiã e outra para alguém próximo que estiver em apuros.

    9. Lingerie Football League

    Desde 2003 nos intervalos das partidas de futebol americano, os jogos com meninas em lingerie ganharam a sua liga em 2009. A Lingerie Football League nasceu com 10 equipes: Philadelphia Passion, Chicago Bliss, Miami Caliente, Tampa Breeze, Dallas Desire, New York Majesty, Denver Dream, Los Angeles Temptation, San Diego Seduction e Seattle Mist.

    10. O livro dos fatos insólitos

    Ele não saiu em 2009, mas resolvi fazer uma homenagem a este pequeno grande livro editado em 1993 pela LP&M. Durante anos o jornalista Michel Vergez foi operador de telex (lembra?) da agência de notícias France Press e colecionou centenas de pequenas notícias bizarras enviadas para a AFP. O “Pequenas Notícias” tem histórias sensacionais. Reproduzo uma das minhas preferidas para você correr ao sebo mais próximo e comprar.

    Nariz de Cera*
    LONDRES, 13 set/89 (AFP) – Um jornal jurídico inglês muito respeitado acaba de chamar a atenção dos motoristas para o perigo de limpar o nariz enquanto aguardam o sinal abrir. O Solicitor’s Journal, ao reproduzir a história do jornal médico Lancet, cita o caso de um chofer cujo carro foi abalroado por trás enquanto aguardava o sinal abrir.O chofer, coberto de sangue, tinha sido levado para o hospital, onde os médicos constataram que o ferimento era desproporcional em relação à violência do choque. Depois de um exame demorado, eles descobriram que, no momento do choque, um dedo do motorista no nariz rompeu uma pequena artéria, provocando uma hemorragia e o desmaio da vítima.
    (Extraído de VERGEZ, Michel. “Pequenas Notícias: telex da Agência Frence Press”. Porto Alegre: L&PM, 1993)
    * O termo  “nariz de cera”, na gíria jornalística, diz respeito ao texto preambular, muitas vezes dispensável, cujo conteúdo não acrescenta maiores informações sobre o fato.

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  • 14Mar

    Carlos Saul Duque

    Em ano de eleições majoritárias a gente recebe um bombardeio de propaganda política, seja ela direta ou disfarçada de inauguração. Ainda nem pegou fogo, mas os ataques e contra-ataques já estão cruzando os céus do Brasil. Parece que na véspera de concorrer todo o sistema político descobre que seus adversários não prestam.
    Aproveitando o clima, o blog da Dez relembra dez canções que fazem parte da história política do Brasil. Todas elas já têm um bocado de estrada, pois foi difícil achar algo realmente novo pra colocar na lista. E vamos combinar que o funk do MC Vozão pedindo o Ronaldinho Gaúcho na Copa não é exatamente uma crítica política.
    Talvez o protesto tenha saído de moda, ou o novo palco seja os linchamentos digitais no twitter. Não sei. O que importa é que estas dez canções são fantásticos trabalhos de criatividade, principalmente aquelas compostas durante a ditadura militar brasileira, onde era preciso driblar a censura com metáforas fora do alcance das autoridades.
    Como eram apenas dez canções, muita gente boa ficou de fora. Mas a seleção é muito representativa. O país já teve rebeldes com bastante causa.

    Geraldo Vandré
    Pra não dizer que não falei de flores

    Durante a década de 60, os Festivais da Canção da Record revelaram para o Brasil gente do peso de Gil, Caetano, Chico e Elis. Vandré estava entre eles e em 1968 compôs esta música, totalmente explícita, que acabou virando o hino da resistência ao regime militar. No mesmo ano, Geraldo Vandré fugiu do país, perseguido pelo regime.

    Chico Buarque e Gilberto Gil interpretados por Chico e Milton Nascimento
    Cálice

    Canção lindíssima, obra-prima do jogo de palavras. Ficou proibida durante anos. Tente se colocar no ambiente político do Brasil em 70 e veja como era difícil de dizer o que se pensava na época – a não ser que você fosse um gênio como Chico Buarque.

    Roberto Carlos e Erasmo Carlos interpretados por Caetano Veloso
    Debaixo dos caracóis dos seus cabelos

    Durante muito tempo não se soube que Roberto e Erasmo escreveram esta canção em 1971 em solidariedade a Caetano Velloso, que havia se exilado em Londres em 1969 por causa da ditadura militar. RC não pertencia ao grupo de artistas considerados politizados, mas foi genial ao compôr uma canção política com cara de declaracão de amor.

    João Bosco e Aldir Blanc interpretados por Elis Regina
    O bêbado e a equilibrista

    Esta música foi a trilha sonora da volta dos exilados políticos, que a partir de 1979 retornaram para o Brasil com a anistia. Letra emocional e cheia de referências a personalidades da época.

    Paralamas do Sucesso
    Alagados

    Os Paralamas sempre curtiram reggae, ska e outros ritmos afro-caribenhos. A banda tem várias canções politicamente engajadas, mas “Alagados” dá um recado muito forte sobre a miséria brasileira, sem necessariamente se tornar pesada. Preste atenção no segurança do baile funk “revistando” as partes íntimas do Herbert Vianna.

    Léo Jaime
    Solange

    O primeiro disco de Léo Jaime, “Phodas C”, foi lançado em 1984 lacrado e proibido para menores de 18 anos. Pra se vingar, o cantor compôs esta música para homenagear Solange Hernandez, chefe da censura na época. Preste atenção: é uma versão de “So Lonely”, do Police.

    Plebe Rude
    Até quando esperar

    Se você foi jovem nos anos 80 deve lembrar que Brasília tinha a “Turma da Colina”, integrada pela Plebe Rude, os Paralamas e o Aborto Elétrico, que deu origem ao Capital Inicial e à Legião Urbana. A Plebe era (ou é) engajadíssima e fazia uma mistura de pós-punk com new wave (se é que isso é possível). “Até quando esperar” é o grande hit deles.

    Ultraje a Rigor
    Inútil

    Deixando de lado a seriedade da Turma da Colina, vamos à banda que escrachou todas nos anos 80. O trabalho do Ultraje é inteligente, crítico e a canção “Inútil”, simplesmente sensacional. Letra que não envelhece, pra mim é a versão cantada de Macunaíma.

    Cazuza
    Brasil

    Cazuza gravou em 1988 o álbum “Ideologia”, do qual faz parte esta música. No mesmo ano, interpretada por Gal Costa, ela virou tema da novela “Vale Tudo”, onde Maria de Fátima (Glória Pires) aprontava todas, mas quem pagou o pato acabou sendo Odete Roitman (Beatris Segall). “Brasil” também acabou virando hino, durante o processo de impeachment de Collor de Melo em 1992.

    Caetano Veloso e Gilberto Gil interpretados por Jorge Drexler
    Haiti

    Muita gente só prestou a atenção no Haiti depois do terremoto, mas a vida por lá é uma merda faz muito tempo. Gil e Caetano gravaram “Haiti” em 1993 e a letra é um soco na cara. Com a tragédia do último final de ano, Jorge Drexler tocou esta linda versão em Madri em um programa de apoio ao país, exibido pela TVE España.

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