1. Comprar um tablet
Está acontecendo. Tablets vão mudar definitivamente a relação que temos com os computadores. Falando especificamente do iPad, o bicho é tão intuitivo que eu não teria problemas de dar um de presente para os meus pais, um casal de mais de 70 anos. A tela de toque torna tudo tão simples – e a Apple torna tudo tão desejável – que o mercado está sendo inundado pelo novo gadget: o iPad número 1 milhão foi vendido no dia 30 de abril passado nos Estados Unidos (e já foram baixados 12 milhões de aplicações e 1,5 milhão de ebooks para o tablet).
A revolução iniciou com o iPhone, mas quem vai colocar a cabeça das máquinas convencionais na guilhotina vai ser o iPad.
Jony Ive, vice-presidente senior de design da Apple, conta o segredo, que é irritantemente simples: “eu não tenho que mudar para me adaptar ao produto, o produto é que se adapta a mim.” Dê uma olhada no promo do Ipad e veja com seus próprios olhos.
A importância do lançamento do iPad rendeu capa e matéria longuíssima da Wired, a bíblia da tecnologia. Além do texto principal, 11 cabeças pensantes da tecnologia também escrevem, se rasgam em elogios e fazem previsões sobre o futuro dos negócios, dos games, das comunicações pessoais, do armazenamento de informações e da vida comum sob o impacto dos tablets.
Kevin Kelly, editor executivo fundador da Wired, rasga a seda: “você vai ter uma TV que se lê, livros que você assiste, filmes que você toca.” E vai mais longe dizendo que, até pouco tempo, os computadores e seus similares podiam “ver” apenas a ponta dos dedos de quem digitava em seu teclado. Com os tablets, a relação se acelera em direção à troca total. A previsão é que a própria tela se transformará em uma grande lente, fazendo que o aparelho observe você ao mesmo tempo em que você observa o seu conteúdo. E assim os gestos e os movimentos do corpo serão mais importantes do que a ponta dos nossos dedos, acabando com a “tirania do teclado”.
Parafraseando Jony Ive, você não vai ter que mudar para ter um tablet. Mas vai ter que usar um tablet para se adaptar ao novo mundo. E esta é uma boa notícia.
2. Trocar o vaso sanitário da sua casa
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Cada vez eu me convenço mais que são as ideias simples e as pessoas comuns que vão fazer o nosso planeta viável novamente. Países são corporações, com interesses de corporações. Pessoas comuns tem pequenos interesses, geralmente centrados no seu próprio bem estar e, por isso, egoístas e focados na satisfação (ou vantagem) imediata.
Ideias simples como esta da Roca (que ganhou o Wallpaper Design Awards e o Design Award Design Plus em 2010) são capazes de quebrar este círculo vicioso.
Uma pia que é vaso e usa a água já utilizada na torneira para a descarga sanitária. Brilhante não apenas porque é simples, mas também por não exigir o menor esforço – ou desprendimento – do cidadão. Pode mandar entregar o Nobel para o designer.
3. Ter um robô
Quando eu era criança, queria muito ter um robô com toda a tecnologia da época: bate-e-volta, duas pilhas grandes, luzes piscantes e lançador de faíscas de espoleta.
O Kondo KHR-3HV tem 17 servo-motores, 17 eixos, sensores de última geração, bateria NiMH recarregável em 1,5 hora. Dos multiplos movimentos que tem, faz apoios e, como bom japonês, sabe fazer a referência oriental.
O Kondo é apenas um brinquedo, mas a robótica já prepara humanóides para serem parte do dia-a-dia. Há no mercado vários eletrodomésticos robotizados, mas enfermeiros, serventes e até parceiros sexuais, daqui a pouco estarão nas vitrines.
A empresa francesa Aldebaran já tem um humanóide de 50cm chamado Nao que entra no mercado este ano. Ele lê em voz alta e reconhece rostos. Custa 15 mil dólares, mas o fabricante garante que ele não faz cocô no tapete, nem arranha os móveis da sala.
4. Colocar a sua vida na nuvem.
Se você já sabe, pule este parágrafo, mas o conceito de cloud computing ou computação na nuvem é a ideia de se utilizar através da internet aplicações e serviços não instalados na sua máquina, não interessando o lugar que se está ou a plataforma utilizada. Isto com a mesma facilidade e velocidade, como se tudo estivesse fisicamente instalado no seu computador.
A venda de softwares ainda é um grande negócio, mas a venda de CDs também era nos anos 90. A vida digital abocanhou inúmeros atos do cotidiano – coleção de músicas, lista telefônica e agenda, por exemplo – e até mesmo ocasiões extraordinárias. Fotos de viagem, convites de casamento, vídeos de formatura, cartas ressentidas de ex-namorados, tudo foi para o seu computador. E agora está rapidamente subindo para a nuvem.
Há uma regra básica em tecnologia que diz: toda a inovação acabará usurpada por alguém que faz a mesma coisa ou mais barato, ou com mais eficiência, ou com mais elegância. O computador da era web deixou para trás um cemitério de marcas que não conseguiram se adaptar. A nuvem já está fazendo o mesmo. O Google é como um aspirador de pó que suga tudo para a rede. As redes sociais são prateleiras virtuais onde colocamos nossas fotos e bibelôs. Não gaste dinheiro em armários. Invista o que você tem em velocidade de processamento e banda larga.
5.Usar o sistema operacional Google Chrome
Google é uma empresa 110% internet. E acredita em um mundo sem arquivos, aplicativos ou espaço de armazenamento físico. O Google Chrome Operating System trabalha com essa premissa, ele é a nuvem. E seu mantra é que a rede será o grande provedor de tudo que você precisa no seu computador. E com isso serão cinco as vantagens de trabalhar assim: custo, velocidade, compatibilidade, portabilidade e novas aplicações.
O Google Chrome OS é um sistema aberto que foi lançado no final do ano passado. O Google prevê que ele realmente pegue lá por meados do segundo semestre de 2010. A empresa tem quebrado paradigma atrás de paradigma. Vamos ver.
6. Dirigir um veículo movido a thorium
Ele é superseguro, verde e limpo. E tem sobrando: o que existe no mundo poderia abastecer o consumo americano de energia por mil anos.
O thorium (ou tório) é um metal natural, ligeiramente radioativo, nomeado em homenagem ao deus escandinavo Thor. Foi descoberto em 1928 pelo químico sueco Jöns Jacob Berzelius. Quando aquecido no ar, o metal de thorium pega fogo e produz uma luz branca brilhante. Por isso tem diversas utilizações, a mais mundana delas é revestir aquela telinha que se acende nos lampiões a gás.
Pois o thorium, vejam só, ao ser utilizado como combustível para usinas nucleares, deixa resíduos minúsculos, que precisam ser armazenados apenas por centenas de anos (ao contrário do resíduo do urânio, que precisa de milhares de anos). E, por existir em abundância na natureza, é praticamente interminável. E ainda: é virtualmente impossível de ser utilizado por terroristas para produzir armas nucleares.
Durante a guerra fria, o governo americano optou pelo urânio para suas usinas nucleares, pois assim era possível produzir plutônio que, refinado, é uma arma nuclear. Os tempos agora são de revival do thorium. Então vamos torcer por ele.
7. Ser o proprietário de um órgão artificial…
Nenhuma novidade: corações, articulações, dentes, há uma série de órgãos e próteses humanas disponíveis no mercado. Algumas funcionando com muita eficiência, outras que exigem disciplina e paciência do proprietário para que não haja problemas.
Mas a velocidade com que a tecnologia caminha também está trazendo progressos para o mercado de peças de reposição humanas. Já existe, por exemplo, um pâncreas artificial que substitui as medievais injeções de insulina e o controle frenético sobre as taxas de açúcar dos diabéticos. Controlado por computador, o aparelhinho fica na cintura do diabético, que tem um implante na barriga alimentando de dados pâncreas artifical para que ele administre a dose exata e necessária.
O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis já provou que é possível captar o espaço temporal de um pensamento e como este é transformado em comando pelo corpo, o que vai permitir, tomara que em breve, que se controle membros robóticos com o cerebro. Um sonho para quem perdeu uma perna ou está preso a uma cadeira de rodas.
Microrrobótica e nanorrobótica permitirão que robôs e máquinas orgânicos alimentados por açúcares do próprio corpo combatam internamente doenças. O professor Shozo Motoyama, especialista em História da Ciência da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, vai mais longe e aposta em tecnologias biomédicas apoiadas no desenvolvimento da biologia molecular, genética e informática.
E ainda roga uma praga em nós, inúteis mortais: “Dentro de mais ou menos meio século, o nosso conhecimento da biotecnologia aliado ao avanço informático-computacional proporcionará não só a cura das doenças como aperfeiçoará biologicamente o ser humano que só morrerá por causa da sua própria burrice e egoísmo.”
8. …ou ser salvo pelo próprio sangue
Uma pequena empresa chamada TheraVitae, com escritório em Israel e hospitais na Tailândia e na República Dominicana, tem tratado pessoas com problemas no coração com o próprio sangue: tira-se 250ccs do sangue do paciente; as células-tronco são extraídas do sangue e estimuladas a crescer; depois, são injetadas diretamente no músculo cardíaco. O resultado tem sido o desenvolvimento destas células em tecido cardíaco saudável, regenerando e fortalecendo o coração.
Apesar de ainda não ter sido aprovado pelo FDA, agência governamental americana que lida com o controle das indústrias alimentícias e de remédios, o tratamento está atraindo gente para os hospitais da TheraVitae, que se prepara para o caro e longo processo de aprovação para entrar nos Estados Unidos: os testes feitos no exterior servem como uma espécide de fase 1 para a FDA. A fase 2, em território americano, pode custar US$ 2 milhões e a fase 3, US$ 40 milhões.
Atualmente há 50 tratamentos com células-tronco em testes nos EUA. O que significa que, sim, a probabilidade de você ser salvo pelo próprio sangue aumenta a cada minuto.
9. Andar de trem no Brasil
Enquanto o primeiro-mundo adota o trem-bala, o sistema ferroviário do Brasil está no prego. Mesmo assim, por mais que faça o lobby das transportadoras, dos fabricantes de pneus, das ambulâncias, dos donos de boteco de beira de estrada e todo o resto da cadeia comercial que se alimenta do transporte rodoviário, vai chegar uma hora que, sem trem, não vai dar.
A roleta russa de abrir mais vias para caber mais carros e assim vender mais carros e por isso precisar de mais vias vai levar ao colapso geral. Morticínio, poluição, stress e desperdício são os quatro cavaleiros do apocalipse do modelo rodoviário. O Brasil precisa de trens de todos os tipos: urbanos, de longa distância, de passageiros e de carga. Ou vai à breca.
O governo Obama está investindo 8 bilhões de dólares para retomar planos ferroviários abandonados. Cinco áreas urbanas americanas tem a população e a geografia necessárias para a instalação de trens-bala, verdadeiros foguetes movidos a alta voltagem e com muita, mas muita tecnologia embarcada.
Você ainda vai andar de trem no Brasil. E não é porque bacana ou romântico, mas porque essa é a única alternativa, além dos barcos, para desafogar o grande nó aerorodoviário do nosso país continente.
10. Mobiliar a casa com algo feito de garrafas pet
“A humanidade encontrará o seu futuro na respiração das criancinhas. Elas soprarão o mundo como o mundo sopra vida em nossos dias. Elas celebrarão seus aniversários com o apetite insaciável que só as crianças têm. Encherão seus pulmões com o mais precioso dos elementos, ar, e ao invés de assoprar as velinhas, usarão a força mecânica de sua respiração para preencher formas sólidas com o seu ar.”
Esta é a pra lá de poética apresentação da Sparkling Chair, cadeira criada pelo designer holandês Marcel Wanders, produzida de plástico PET, inspirada em uma garrafa do mesmo material. Ela foi apresentada no Salão Internacional do Móvel de Milão 2010.
Ok, há tijolo de PET, abajur, barco, camiseta, vaso sanitário, tem até pufe do Shrek feito de garrafa PET reciclada. Mas o aparecimento de um objeto do alto design feito com PET inaugura uma outra fase. Que venham outros sparkling objects.
E não esqueça que mais importante do que reciclar as garrafas é diminuir o seu uso. O ato de comprar água, combatido ferozmente em algumas cidades do mundo, é altamente anti-ecológico.
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