A Dez está fazendo quatorze anos. E eu estou dividida entre uma sensação de muito orgulho por estar aqui há dois e outra de pânico por perceber que, quando a Dez começou, eu estava começando também, engatinhando na criação de uma agência, me apoiando nas mesas dos profissionais mais experientes pra conseguir levantar e andar com minhas próprias pernas, levando alguns tombos e levantando de novo entre um job e outro.
De longe eu ouvia falar dos “guris da Dez”, que teriam tirado as rodinhas de suas bicicletas e passado a pedalar sozinhos no pátio de sua própria agência. Eram guris, mesmo. Guris de vinte e poucos anos que se conheceram ainda quando pequenos criadores, apesar da altura do Saul e da grandiosidade do talento de cada um deles. Juntos, foram crescendo num mercado de gente grande da maneira que todos nós gostaríamos de crescer: com trabalho, sim, mas com muito prazer e diversão. Ninguém me contou, eu vi. Vi esse crescimento pelo lado de fora. No jornal, na televisão, no rádio, nas ruas. E logo em seguida nas entregas de prêmios, nas páginas dos anuários, nas folhas da Archive, na satisfação dos clientes, nas conquistas de contas. Juntos, cresceram com uma irreverência que poucas vezes se viu numa agência em Porto Alegre. Não uma irreverência momentânea, mas constante. Deixaram de ser pequenos criadores para virar grandes criadores, não só de anúncios e campanhas, mas de cases, de oportunidades, de empregos, de carreiras e até de filhos.
Eu? Deixei de assistir do lado de fora e vim pra cá tentar crescer ainda mais com eles. Já não engatinho mais, já sei andar, correr até. Já tenho anos de carreira nas costas, já tenho filho, já tenho prêmios, já tenho experência. Não sou mais aquela menina, o tempo é impiedoso, não volta, assusta. E mesmo assim, com as rugas que também tenho, tenho orgulho. O pânico, passou. Afinal, quatorze anos não são nada se você se sente uma guria. Uma guria da Dez.
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