Em tempo de preocupação crescente com o aquecimento global e com a destruição geral do nosso planetinha, nada mais compreensível do que uma reação ecologicamente correta praticamente inconsciente por parte das pessoas, quando confrontadas com alguma crítica mais veemente em relação à fauna ou à flora mundial.
Quem me conhece o suficiente certamente já está mais do que acostumado com meu inabalável ódio por sabiás. Invariavelmente sempre tem alguém que reage com um clássico “coitado do passarinho!” Durante um bom tempo eu simplesmente não conseguia entender como alguém poderia defender essa criatura pavorosa. Então, depois de algumas madrugadas em claro (proporcionadas pela porcaria do saibá) que eu cheguei a alguma conclusões.

Convém explicar a todos que caso eu tivesse conseguido incluir aqui um audio em loop, indesligável, do canto infernal desse bicho, todos seriam capazes de entender minhas conclusões antes mesmo que eu as expusesse. Mas como, para a graça de todos, eu não consegui, vamos às minhas conclusões.
O caso do sabiá é exatamente o mesmo de muitas outras coisas da vida, em que as pessoas embasam sua defesa em um conceito geral do mundo, sem estarem informadas o suficiente para saber que também odeiam tal coisa. Ou seja: as pessoas, ao defender o sabiá, simplesmente não sabem que aquele passarinho desgraçado que repete sempre a mesma ladaínha sem graça durante horas e horas e insiste em cantar a partir das três da manhã piorando a insônia de qualquer um, é o sabia!
Sim! É ele! Repete e repete sempre a mesma coisa, sem parar nunca! Como uma versão animal da música deprimente do caminhão de coleta do lixo orgânico, que todo mundo odiou muito antes de saber que era do caminhão do lixo orgânico! E, para desespero de todos, trago algumas informações que infelizmente adquiri há algumas semanas:
- O sabiá é uma ave territorial, ou seja, passa a vida toda no mesmo lugar;
- O sabiá vive de 30 a 35 anos;
- O sabiá é capaz de imitar o canto de outros pássaros, embora apenas alguns pedaços
Traduzindo: quem tem um que mora perto da sua casa está fadado a suportar a imitação capenga que ele faz por um loooooongo tempo. Desse modo, quando alguém odeia um sabiá, não precisa se sentir tão culpado, porquenão odeia uma espécie, e sim um passarinho específico, que provavelmente não deixará de o infernizar.
Eis tudo.
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