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Tá rolando em São Paulo o 3º MediaOn, Seminário Internacional de Jornalismo Online. Gente muito interessante tem passado pelo palco do evento e se você ainda não pescou nenhum conteúdo do que se está discutindo por lá, dê uma passadinha no site deles – ou no Terra, que faz uma ótima cobertura, e veja o que está rolando. Recomendo.
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Um debate interessante foi o de de Joshua Benton, jornalista investigativo e diretor do Nieman Journalism Lab, da Universidade de Harvard. O eixo do que ele falou está no comportamento dos jornalistas frente às novas mídias, principalmente no que diz respeito ao novo comportamento do público.
Não é novidade para ninguém que a mídia em geral, e a mídia impressa em particular, vêm perdendo audiência. E a principal, mas não única razão, é o poder que a tecnologia tem colocado na mão das massas. Seja a internet, o MP3 player ou o Guitar Hero, o fato é que a galera perdeu o interesse em muitas coisa que só a mídia convencional tinha o poder de dizer ou fazer. E foi atrás de algo mais interessante.
E acho que o centro da discussão está exatamente nesta pequena palavrinha: poder. A possibilidade multifacetada de escolha que a tecnologia trouxe está mudando, porra, já mudou o jeito com que consumimos a informação. As mídias sociais estão aí para mostrar isso. O discurso institucional ou editorial está se adaptando à velocidade e ao poder de interferência do cara que está do outro lado do canal.
Meses atrás a Globo proibia seus jornalistas de falar em twitter. Equivocadamente, a vênus platinada classificava-o como uma marca – uma abordagem anacronicamente comercial calcada no interesse, obviamente, comercial da emissora. Hoje a Globo não só está no twitter como os seus comunicadores falam alegremente e o tempo todo sobre isso.
Voltando ao Joshua Benton. Um parágrafo da fala dele no MediaOn resume na prática tudo o que eu disse acima. É sobre os profissionais jornalistas, mas serve também para a mídia tradicional e para a comunicação em geral, propaganda incluída:
“Os jornalistas terão de perder a sua arrogância e agir com seres humanos. A transição vai ser muito difícil para a maioria. (…) A internet treinou as pessoas para que elas recebessem as informações de uma forma social. Os repórteres têm de parar de achar que o seu público é um estorvo. Os jornalistas encaram os e-mails de um leitor como algo chato, principalmente quando endereçados ao editor. É hora de a voz institucional desaparecer. Os jornalistas online tem de encarar o leitor em primeira pessoa e dizer: ‘isto nós sabemos e isto nós não sabemos’”.
Se fosse no jogo de taco, que se joga na rua com dois pedaços de pau e uma bola de tênis velha, eu diria para os jornalistas: licença pra dois e entrega os tacos. Relaxem e caminhem em direção à luz, em busca da felicidade. Pra ser um pouquinho mais sério cito Schopenhauer, o filósofo alemão definido como “o professor do pessimismo”, mas que no seu livro “A Arte De Ser Feliz” deu o seguinte conselho, que eu transfiro para todos os comunicadores:
“Precisamos tentar chegar ao ponto de ver o que possuímos exatamente com os mesmos olhos com que veríamos tal posse se ela nos fosse arrancada. Quer se trate de uma propriedade, de saúde, de amigos, de amantes, de esposa e de filhos, em geral percebemos o seu valor apenas depois da perda. Se chegarmos a isso, em primeiro lugar a posse haverá de nos trazer imediatamente mais felicidade; em segundo lugar, tentaremos de todas as maneiras evitar a perda, não expondo nossa propriedade a nenhum perigo, não irritando os amigos, não pondo à prova a fidelidade das esposas, cuidando da saúde das crianças etc. Ao olharmos para tudo o que não possuímos, costumamos pensar: ‘Como seria se fosse meu?’, e dessa maneira nos tornamos conscientes da privação. Em vez disso, diante do que possuímos, deveríamos pensar frequentemente: ‘Como seria se eu o perdesse?’”
O público já deu seu recado: vou dar uma banda por aí e ser feliz, não sei se volto. Não enxergar que ele já conquistou esse poder é pôr à prova sua fidelidade. E correr o grande risco.
Em 1967, um sociólogo americano chamado Stanley Milgram resolveu testar uma curiosa teoria proposta pelo escritor húngaro Frigyes Karinthy em 1929. O enunciado: qualquer pessoa no planeta pode ser conectada a qualquer outra através de uma cadeia de não mais do que cinco intermediários. Karinthy ilustrou a sua teoria escrevendo o conto “Chains”.
Stanley Milgran renomeou a proposta de “small-world problem” e foi para o campo testar. Selecionou aleatoriamente habitantes do meio-oeste americano e os fez enviar pacotes pelo correio a um sujeito em Massachusets. Todos os participantes da experiência sabiam o nome, a profissão e a região onde o sujeito morava e foram instruídos a enviar seu pacote a um amigo que eles achassem ter algum ponto de convergência com o destinatário. Este amigo, por sua vez, deveria fazer o mesmo e o processo continuaria até o pacote chegar às mãos do tal sujeito de Massachussets.
A expectativa geral dos participantes era de que o pacote passaria por centenas de pessoas antes de chegar ao destinatário final. Mas a quantidade média de intermediários ficou entre cinco e sete. A experiência de Milgram foi publicada no “Psychology Today”, onde pela primeira vez foi utilizada a expressão “seis graus de separação”.
Mais de vinte anos depois, a expressão foi popularizada pela peça de mesmo nome do dramaturgo americano John Guare. “Six Degrees of Separation” estreou em 1990. A peça, por sua vez, deu origem ao filme de 1993, que foi dirigido pelo australiano Fred Schepisi e é um dos primeiros longas do Will Smith.
A teoria de Frigyes Karinthy chegou gloriosamente à internet em 1996 com o jogo “The Oracle of Bacon at Virginia”, que foi considerado um dos dez melhores websites daquele ano. O jogo é muito simples e irritantemente imbatível: usando Kevin Bacon como “destinatário”, você deve propor o nome de qualquer ator – eu disse qualquer ator – e o oráculo mostra a você quantos graus de separação existem entre os dois. Exemplo: você digita Gaúcho da Fronteira e o resultado é:
Sim, entre o Kevin Bacon e o Gaúcho da Fronteira há apenas três graus de separação.
Era o tempo da pedra lascada, digo, da internet discada e eu lembro que todo mundo gastava horas de conexão ruim e cara tentando bater o jogo, sem o menor sucesso. Quase toda a obra cinematográfica do universo está conectada a mais ou menos 3 graus de separação do Kevin Bacon, arroz de festa em qualquer telecine ou HBO channel, seja lá o estilo que for (mas não dá para chinelear o rapaz, que tem em seu currículo filmes como “Sobre Meninos e Lobos”, “Apollo 13”, “JFK”, “Frost/Nixon” e por aí vai).
Em uma época em que se fala muito em redes sociais e onde expressões como “it’s all about mixing people” são recorrentes em workshops e seminários, não pude deixar de lembrar do velho Kevin Bacon Game. Ele é a própria rede social em ação em uma época onde facebook, twitter, orkut ou flicker eram palavras sem sentido.
Na verdade, o mundo sempre foi movido por redes sociais, seja qual for o nome que a gente deu para elas: apóstolos de Cristo, embaixadores de marca, amigos e moradores da Chácara das Pedras, Tupperware Party, Geral do Grêmio, facebook, cite você aí a sua organização preferida, todas elas são redes sociais analógicas que são eficientíssimas em seus propósitos.
O fato de hoje existir uma rede mundial de computadores é apenas a consequência natural da evolução tecnológica. Mas, ao fim e ao cabo, tudo continua sendo a respeito de misturar pessoas. Dar tratamento diferente às vidas online e offline é negar a natureza humana. Assim como achar que o online não influenciou o offline, uma miopia.
Post-post: depois que eu fechei este texto, descobri que o Kevin Bacon pegou a piada e fez dela uma ação social. Através do site sixdegrees.org ele já arrecadou quase três milhões de dólares para causas nobres. Isto sim é que é rede social.
Catei este post do Felipe Anghinoni no blog da Perestroika. Ele fala de uma período muito legal da Dez e de uma atividade que é historicamente constante na agência: o mash up. Desde o tempo em que ele não tinha esse nome trendy.
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O Tempo e o Vento Levou
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Felipe Anghinoni
Já faz algum tempo. Entre 6 e 8 anos atrás, trabalhávamos Juliano Farman (Escala), Leo Prestes (W3 Haus), Pedro Perurena (LiveAD), Malinoski (CuboCC) e eu na Dez Propaganda. Não sei quem foi que começou a brincadeira nem se tinha mais gente envolvida. Só sei que a gente fez um Mash Up com nomes de filmes. Eram uns 20 títulos. Foi uma tarde megadivertida de “trabalho”.
Numa época onde não se falava em viralização, a gente tentou de todas as formas viralizar o documento. Mandamos pra todo mundo que conhecíamos e não deu em nada. Mandei pro Roger Lerina e nada (aliás, todas as contribuições que eu mandei pro Lerina até hoje nunca deram em nada). E foi só isso. Não deu em nada.
Decidi retomar aqui o exercício. Acho que tem até alguns nomes repetidos de 6 a 8 anos atrás. Mas comecei do zero. Ainda acho superdivertido. E penso que daria uma boa campanha para uma videolocadora.
Abrass,
Felipe
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George Lois é um superdiretor de arte de 77 anos, responsável por capas memoráveis da revista Esquire e por um portfólio gráfico e publicitário impressionante. Para citar apenas alguns trabalhos de Lois, ele é o criador do logo do canal Nickelodeon e da campanha “I want my MTV”, ambos nos anos 80. Para citar apenas uma dupla que ele formou: com Helmut Krone, e ambos criaram a campanha “Think Small” para a VolksWagen na DDB NY em 1959.
A Business Week disse que “Toda indústria tem suas estrelas e no mundo da propaganda, George Lois é uma supernova, o Mr. Big Idea original. Desde os anos 50 ele tem uma influência titânica na cultura mundial.”
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O nome de Lois está presente no The Art Directors Hall of Fame, The One Club Creative Hall of Fame e com o conjunto de sua obra premiado pelo American Institute Of Graphic Arts e pela Society of Publication Designers, além de estar presente da Master Series da School of Visual Arts.
Em 2008, o MoMA de Nova Iorque incorporou à sua coleção permanente 39 capas da Esquire criadas por ele, celebrando o fato com a exposição George Lois: The Esquire Covers @ MoMA.
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Dez frases que definem George Lois. E que certamente responderiam as dez perguntas que eu gostaria de fazer pra ele.
#1
Você tem que ser valente para ser um bom designer. Tem que lutar. Qualquer coisa excitante, pontiaguda ou escandalosa que faça… deve brigar por ela. As pessoas que movem o mundo sempre tomam decisões que vão contra o tradicional.
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#2
A criatividade pode resolver qualquer problema. O ato criativo, a derrota do hábito pela originalidade, passa por cima de qualquer coisa.
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#3
O verdadeiro risco está em fazer o mesmo que todo mundo. Se você faz a mesma revista que todos os outros editores do mundo, ninguém vai prestar a atenção em você. E isso sim é arriscado.
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#4
Trabalho vinte horas do dia fazendo o que gosto. É possível ter mais sorte do que isso? Quando vejo alguém que realmente tem prazer com o seu ofício, sempre digo a mesma coisa: “Não reclame, você é um cara de sorte! Sabe o que é passar dez horas por dia fazendo algo que que detesta?”
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#5
Só com destemor absoluto é que podemos matar os dragões da mediocridade que invadem nossos jardins.
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#6
Você pode citar centenas de produtos que investem milhões de dólares por ano em propaganda, mas que você não consegue olhar na sua comunicação e dizer – isso funciona. É preciso ter uma ideia, uma ideia que não precisa necessariamente mudar o mundo, mas que certamente vai mudar o produto.
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#7
Novas técnicas e novas tecnologias fazem o maior sentido. O computador mudou o jeito de se fazer propaganda. Mas a internet e a máquina são apenas ferramentas. O nome do jogo continua a ser criatividade.
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#8
A pessoa mais inteligente que você pode encontrar é você mesmo, desde que você saiba o que está fazendo.
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#9
Acima e além do seu talento e de uma grande idéia deve haver a paixão e a crença de que você pode mudar o mundo. Você tem que acreditar que o que você cria pode construir o sucesso de um produto. Mas eu acho que muitas agências não acreditam nisso.