Carlos Saul Duque
Era inevitável.
Como o número de usuários da internet aumenta vertiginosamente, era certo que o seu pai, a sua tia e o seu avô iriam aderir à rede.
Segundo o IBOPE/NetRatings, o número de pessoas navegando mensalmente em residências doboru em três anos no Brasil. E este aumento vem ocorrendo principalmente entre gente graúda: entre dezembro de 2007 e dezembro de 2008, o público com até 24 anos cresceu 7,5%, enquanto entre adultos com 25 anos ou mais de idade a evolução foi de 21,5%.
De certa forma, a internet hoje – principalmente as redes socias – é o esconderijo seguro da galera para falar e virtualmente fazer o que lhe der na telha. Elas são como a casa do amigo cuja mãe-solteira (ainda existe este termo?) trabalha o dia inteiro e a turma invade depois da aula para fumar, ouvir música e namorar.
Mas este porto seguro está ameaçado. Assim como você não quer frequentar o mesmo bar que a tia Cotinha, também não quer compartilhar as páginas da mesma rede social que a sua vó escolheu para divulgar as receitas de bolo. Todo mundo se policia sobre o que falar, o que vestir e como agir na frente dos seus pais – principalmente os adolescentes. Se a mesma política de boa vizinhança tiver que ser praticada em uma rede social, danou-se. Não há como rasgar bandeira na frente dos velhos e não receber um comentário virtual, ou cara a cara quando chegar em casa, sobre isso.
Duas garotas americanas criaram até o site (oh crap) myparentsjoinedfacebook.com onde há uma coleção de saias-justas enfrentadas pelos frequentadores da rede social ao se deparar com um convite dos pais ou da tia Cotinha para serem seus amigos. Lea você também acha os hilariantes diálogos virtuais como os comentários preocupados com o comportamento e o linguajar na internet, além de declarações incondicionais e totalmente constrangedoras de amor incondicional aos rebentos.

Com o orkut ostentando a segunda maior população do Brasil (só perde para São Paulo), o facebook crescendo enlouquecidamente, o twitter explodindo e os pais invadindo a praia da galera, a migração para a próxima novidade já deve ter começado no topo da pirâmide onde estão os “trendiest” da internet. Para se ter uma idéia do tráfego no Brasil, em junho o país foi o que mais acessou o twitter com 10,54% de alcance nas residências e 15% no trabalho, deixando os anglofalantes Estados Unidos, Reino Unido e Austrália no segundo lugar para baixo (IBOPE/Nielsen Online).
Voltando aos velhinhos na internet, um reflexo interessante: com o amadurecimento do perfil do internauta brasileiro, caiu a média de consumo de tempo e de páginas vistas, já que a turma senior navega com menor intensidade e desenvoltura na rede. Segundo o analista de mídia do IBOPE/NetRatings, José Calazans, “…em média, um internauta jovem no Brasil consome mais de 2 mil páginas de internet por mês, 56% mais que um adulto.”
Já a navegação massiva nas redes sociais está provocando uma reação do google que vai fazer “a nova microsoft” invadir o espaço da microsoft propriamente dita. Só que o google chrome, sistema operacional grátis do google, não mira apenas no reinado de Bill Gates e Steve Ballmer. Vejamos.
O grande lance do google é concentrar as pesquisas na rede e direcioná-las para os seus interesses comerciais. O grande irmão google diz onde você vai comer, onde estão as fotos que você quer e o direciona para o youtube (que pertence ao google) para você curtir um flash-cineminha. Só que, quando você está em uma rede social, quem opina sobre os restaurantes são os seus amigos. Quem sugere fotos e filmes, também, que muitas vezes estão dentro do próprio facebook ou orkut, criando um sistema fechado e deixando o google fora da festa.
Por outro lado, os já mais de 50 mil aplicativos do iPhone também estão roubando espaço do google. Qualquer proprietário da maquininha da Apple sabe que é muito mais eficiente navegar através dos apps.
Tempos interessantes.
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