Resultado final do Brasil em Cannes: um Leão de PR, dois de Cyber, seis de Media, sete de Design, um de Radio, cinco de Outdoor, sete de Press e três de Film. Se contarmos o título de “Agência do Ano” que a DDB Brasil levou, são 33 premiações contra as 41 de 2008. Na média, um resultado muito parecido.
Na média. Dois Leões de Cyber é um resultado pífio para um país que costuma liderar a categoria. Nenhum Leão em Direct, nem em Titanium, nem em Integrated, nem em Promo e apenas um em PR; nenhuma premiação em Young. Meu amigo, é neste ponto que a porca torce o rabo.
Mil Casmurros: unico Leão de PR para o Brasil. Criação da LiveAD
O futuro reside nestas novas categorias e na capacidade da propaganda brasileira de produzir novos talentos. E se formos analisar o desempenho do Brasil sob este ponto de vista, fomos muito mal. Cannes este ano mostrou uma vontade contagiante de ir buscar o terreno que perdeu nos últimos anos. O mundo agora é digital, viral, interativo, comandado pelo consumidor. O GP de filme veio da categoria interativa. Os principais candidatos de todas as categorias, salvo raras exceções, já eram conhecidos de milhares, de milhões, através do youtube. E as expectativas geradas pelos números de cliques ou de views, via de regra se confirmaram. O long list de Cannes, uma vez imprescindível para qualquer publicitário que se preze, tornou-se alternativo. O bom e produtivo era acompanhar os debates, os workshops e até mesmo as masterclasses para os Young Lions que eram abertas aos delegados em geral. Foi muito mais interessante e divertido assistir ao papo aberto da masterclass de Andy Berndt, Diretor Global de Criação do Google, do que aguentar os mais de 200 filmes da categoria Cars.
Agora a boa notícia.
Para quem está no mercado há mais tempo é comum ouvir em papos de veteranos que o mercado já não é mais o mesmo. Que o prazer que existia em realizar um grande filme, publicar um anúncio diferenciado, hoje em dia está reduzidíssimo, seja porque os clientes endureceram, ou porque o Planejamento tomou as rédeas do processo, ou porque as agências não conseguem mais impôr a sua pegada aos clientes, ou porque o Michael Jackson morreu no mesmo dia em que a Farrah Fawcett.
Eu mesmo, nos últimos anos, tenho sentido este abatimento em relação ao horizonte que se abre na nossa frente. Sem dúvida, hoje em dia está muito mais difícil emplacar um bom trabalho sem ter que se adequar ao que diz o Planejamento, o Conar, a mulher do cliente, o pré-teste, o guru, as senhoras de Santana, a redução de orçamento e o que mais surgir no horizonte, jogando o instinto por terra e tornando tudo tão parecido e insosso. Fazendo com que uma parte dos trabalhos inscritos em Cannes só possa ser conhecidos efetivamente em Cannes, por falta de oportunidade anterior. Salvo raras e nobres exceções.
Nestes últimos anos, minha desesperança em realmente ter prazer em fazer o que faço foi sendo diminuída pela tecnologia e suas ferramentas de comunicação. Um novo mundo que não para de se abrir com a internet e tudo que a rodeia, e com o que traz de surpreendente e emocionante, me trouxe de volta a alegria de trabalhar em comunicação. Ver o que se está fazendo em termos de integração de meios e uso das novas tecnologias é uma das coisas mais estimulantes que existe. E, para uma cabeça de quase cinco décadas, um combustível que leva a uma novo olhar ou à morte profissional. Definitivamente, prefiro a primeira opção.
Declaro aqui de volta, revogando todas as disposições em contrário, a alegria e o prazer de trabalhar.
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