• 30Jun

    Resultado final do Brasil em Cannes: um Leão de PR, dois de Cyber, seis de Media, sete de Design, um de Radio, cinco de Outdoor, sete de Press e três de Film. Se contarmos o título de “Agência do Ano” que a DDB Brasil levou, são 33 premiações contra as 41 de 2008. Na média, um resultado muito parecido.

    Na média. Dois Leões de Cyber é um resultado pífio para um país que costuma liderar a categoria. Nenhum Leão em Direct, nem em Titanium, nem em Integrated, nem em Promo e apenas um em PR; nenhuma premiação em Young. Meu amigo, é neste ponto que a porca torce o rabo.

    Mil Casmurros: unico Leão de PR para o Brasil. Criação da LiveAD

    O futuro reside nestas novas categorias e na capacidade da propaganda brasileira de produzir novos talentos. E se formos analisar o desempenho do Brasil sob este ponto de vista, fomos muito mal. Cannes este ano mostrou uma vontade contagiante de ir buscar o terreno que perdeu nos últimos anos. O mundo agora é digital, viral, interativo, comandado pelo consumidor. O GP de filme veio da categoria interativa. Os principais candidatos de todas as categorias, salvo raras exceções, já eram conhecidos de milhares, de milhões, através do youtube. E as expectativas geradas pelos números de cliques ou de views, via de regra se confirmaram. O long list de Cannes, uma vez imprescindível para qualquer publicitário que se preze, tornou-se alternativo. O bom e produtivo era acompanhar os debates, os workshops e até mesmo as masterclasses para os Young Lions que eram abertas aos delegados em geral. Foi muito mais interessante e divertido assistir ao papo aberto da masterclass de Andy Berndt, Diretor Global de Criação do Google, do que aguentar os mais de 200 filmes da categoria Cars.

    Agora a boa notícia.

    Para quem está no mercado há mais tempo é comum ouvir em papos de veteranos que o mercado já não é mais o mesmo. Que o prazer que existia em realizar um grande filme, publicar um anúncio diferenciado, hoje em dia está reduzidíssimo, seja porque os clientes endureceram, ou porque o Planejamento tomou as rédeas do processo, ou porque as agências não conseguem mais impôr a sua pegada aos clientes, ou porque o Michael Jackson morreu no mesmo dia em que a Farrah Fawcett.

    Eu mesmo, nos últimos anos, tenho sentido este abatimento em relação ao horizonte que se abre na nossa frente. Sem dúvida, hoje em dia está muito mais difícil emplacar um bom trabalho sem ter que se adequar ao que diz o Planejamento, o Conar, a mulher do cliente, o pré-teste, o guru, as senhoras de Santana, a redução de orçamento e o que mais surgir no horizonte, jogando o instinto por terra e tornando tudo tão parecido e insosso. Fazendo com que uma parte dos trabalhos inscritos em Cannes só possa ser conhecidos efetivamente em Cannes, por falta de oportunidade anterior. Salvo raras e nobres exceções.

    Nestes últimos anos, minha desesperança em realmente ter prazer em fazer o que faço foi sendo diminuída pela tecnologia e suas ferramentas de comunicação. Um novo mundo que não para de se abrir com a internet e tudo que a rodeia, e com o que traz de surpreendente e emocionante, me trouxe de volta a alegria de trabalhar em comunicação. Ver o que se está fazendo em termos de integração de meios e uso das novas tecnologias é uma das coisas mais estimulantes que existe. E, para uma cabeça de quase cinco décadas, um combustível que leva a uma novo olhar ou à morte profissional. Definitivamente, prefiro a primeira opção.

    Declaro aqui de volta, revogando todas as disposições em contrário, a alegria e o prazer de trabalhar.

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  • 28Jun

    Carlos Saul Duque

    Dois anos seguidos em Cannes dá para a gente a possibilidade da comparação. De 2008 para 2009, muita coisa mudou, e isto se refletiu no festival. A diminuição de 40% no número de candidatos deu uma serenidade ao Palais, tornou todas as atividades mais civilizadas. Ano passado, nada podia ser decidido de última hora ou o sujeito dava com a cara na porta.

    Segundo a organização do festival, a frequência nos seminários foi quase a mesma, o que me leva a concluir que a turma que não veio era a do gargarejo. Festa/prêmio/badalação.

    Aliás, a programação dos seminários é o que há de mais valioso em Cannes. O número de peças inscritas diminui também em 20%, mais hoje é humanamente impossível ver o long list e participar dos seminários. Alguma coisa fica pra trás. Meu conselho aos próximos participantes é que estudem bem o que ver nos seminários e ocupem o resto do tempo com o long list de Titanium, este sim imperdível, por mais cracas que possam aparecer.

    O presidente do juri de Press & Film deu uma força para os participantes e provocou o mais curto short list dos últimos tempos, que pode ser visto na manhã de sexta, liberando a tarde e o sábado inteiro.

    A discussão principal é como se organiza essa massaroca interessante de ferramentas tecnológicas para que elas sejam eficientes e controláveis pelas agências e seus clientes, principalmente as(os) de médio e pequeno porte. Quando se tem um orçamento quaquilhão de dólares fica bem mais fácil.

    A DDB Brasil (não se fala em DM9 por aqui) foi a agência do ano, seguida pela AlmapBBDO, que perdeu nos pênaltis (tinha prata a menos). Nenhuma delas ganhou nenhum Grand Prix, mas Cannes tem os seus critérios.

    Achei o GP de Press injusto, a campanha de Alka-Seltzer para mim era a melhor. O de filme é para um trabalho realmente incrível, inscrito como filme interativo. Acho que este juri premiou o futuro em filme e o passado em impresso.

    alkabear alkapaparazzi

    alkaprison alkamagician

    alkamafia

    Para fechar com ouro, ficamos por aqui com a fantástica campanha argentina para o BAFICI, festival de filme independente de Buenos Aires, bi-campeão em Cannes. e o GP conquistado pela Philips com “Carousel”

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  • 26Jun

    p1030305

    Spike Lee subiu ao palco da sala Debussy para anunciar os vencedores do Mofilm UGC Competition, um concurso organizado pela produtora de filmes para celular Mofilm aberta apenas para filmes criados por consumidores utilizando seus próprios celulares

    O japonês Hiroki Ono foi o vencedor com o filme “Feel the Globe” para a Nokia.

    Porém, o mais importante da presença de Spike Lee foi a sua defesa intrasigente da criatividade e da ousadia como ferramentas do cineasta. Mostrando conhecimento do processo criativo da agência (ou talvez o cinema americano tenha a mesma abordagem de aprovação que a propaganda), reclamou da interferência e do medo dos anunciantes em entregar o controle do trabalho para os criativos.

    Enquanto isso, Michael Jackson morria e esculhambava com as redes sociais. O Twitter teve o seu tráfego dobrado e caiu, o maior aumento desde as eleições americanas. O Facebook montou uma página para Michael Jackson cuja adesão é de milhares por hora. E o Google estava levando 35 minutos para fazer uma busca sobre “Michael Jackson”.

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  • 26Jun

    Carlos Saul Duque

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    Mais uma vez, show de showcase no New Directors da Saatchi & Saatchi. O evento abriu com a fala de Marc Price, jovem diretor inglês de “Colin”, longa sobre zumbis em Londres filmado com um orçamento de 45 libras (não contem para seus clientes). Price já havia participado do festival de cinema de Cannes e logo, logo vai ter um contrato no bolso, tipo o novo Roberto Rodrigues. Mas o primeiro filme do RR, “El Mariachi”, é melhor.

    Robert Price mostrou alguns clipes de “Colin” – sangrento – e depois deu espaço para os 23 filmes do showcase. Detalhe curioso: mais o filme foi exibido por inteiro em uma das principais salas do Palais para o Patrick, o Mini e mais quatro espectadores. E Patrick é o primeiro ser humano a pedir uma autógrafo para Marc Price, segundo ele mesmo. Não perguntei sobre zumbis. Bizarre moment.

    Selecionei três para mostrar. Para quem quiser ver o showcase inteiro, aqui vai o link.

    Filme para o Channel Four de Londres, roteiro maravilhoso muito bem filmado (adoro plano sequência). Dirigido por Siri da produtora londrina Knucklehead.

    Nokia Power, dirigido por Zhu Jin Jing da JQK Production, Pequim.

    E pra terminar a canja, um clipe com galinhas. E mutcholoco. Stay the Same, música da dupla AutoKratz que está no álbum Down & Out in Paris & London. Dirigido por Laurie Thinot da Partisan de Paris.

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  • 26Jun

    Carlos Saul Duque

    O Steve Ballmer, CEO da Microsoft, disse que o único lugar da rede em que os anúncios significam alguma coisa é em uma página de busca. Faz sentido, a medida em que ninguém perde muito tempo com anúncios na internet e comprar espaço conectando o assunto do seu produto com o assunto que está sendo procurado potencializa a eficiência da mídia.

    Talvez ele só tenha dito isso porque está lançando o bing, página de busca da Microsoft. Talvez. Mas pensar sobre é um ótimo ponto de partida para a gente falar do case do Axion Bank.

    Este banco belga precisava fazer um movimento de aproximação com os jovens, estar próximo dos seus futuros clientes. A agência deles, Bondoggle Leuven, propôs uma campanha maravilhosa de banners que contraria aquela máxima da comunicação que diz que a gente precisa pensar fora da caixinha para achar algo diferente. Eles foram pra dentro da caixa.

    A proposta foi criar um festival de novas bandas dentro da internet, até aí ma idéia pra lá de normal. Mas o formato é incrível: os caras fizeram caixas físicas com a dimensão exata dos banners de internet e chamaram as bandas que se inscreveram no festival para tocar dentro delas. Depois, colocaram na internet como banners. Ficou sensacional.

    255 bandas da Bélgica se inscreveram e  25 foram selecionadas através de votação dos internautas. As 25 do shortlist gravaram cda uma um novo banner e recebeu apoio do banco para construir ao seu redor todo um equipamento de rede social para tornar=se mais conhecida.

    A banda vencedora, Bad Cirkuz, ganhou um show ao vivo no Ancienne Belgique, uma das maiores casas de espetáculo do país. E uma sessão de gravação profissional. Os banner da campanha receberam quase 7milhões de impressões.

    Tem de tudo

    Dois cases esquisitos.

    Um gaiato criou uma bebida energética chamada Samedi, que é o nome de um espírito vodu. A agência, australiana, foi ao sul dos Estados Unidos criar a campanha para ter a direção de criação de um legítimo espírito vodu.

    Lançamento do game Condemned 2 da Sega, uma saga sangrenta para adolescentes de todas as idades onde o personagem principal é um serial killer. Tão sangrenta que a estratégia foi criar clips virais fofinhos para as pessoas despejarem a maldade fora. Os clips mais trade virarm games fofinhos e a fofura se espalhou pela rede através do Condemned 2.

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