• 29May

    Harry Peacock

    Sim, a Dez já teve um redator argentino em seus quadros. Na sua passagem pela equipe da agência, Fabiano Goldoni deixou marcas. Aquele quebradinho ao lado da porta da Criação, por exemplo. E o afundado no assento direito do sofá da recepção. s1122881239_30201885_3363Contudo, além da implicância com Canoas, que tantos creditam injustamente ao Cavinato, o mais importante legado de Fabiano foram os ensinamentos sobre o modus vivendi de nossos irmãos portenhos, que tanto influenciam nossa culinária e o Grêmio, além de nos aporrinharem em Punta del Este. Em um esforço inédito de reportagem, o blog da Dez fez a sua primeira entrevista em portunhol bilíngue com Goldoni. Com ustedes, Diez preguntas de la Dez para el argentino. Leia na companhia de um bom malbec e um bife de chorizo.

    1.Tu és de la Capital Federal ou del interior de Argentina? 

    Eu vivo desde o dia 17 de setembro de 2005 no que os argentinos corretamente chamam de Capital Federal, mas também é conhecida como Buenos Aires. Faço algumas incursões ao interior da Argentina, que é um país tão bonito quanto o Brasil, porém, é sempre bom lembrar, com três copas do mundo a menos.

    2. Que el time é teu en Buenos Aires? 

    escudo3dSou torcedor e futuro sócio do Club Almagro. É um time conhecido com El Tricolor, nascido em 1911 e inspirado no Grêmio Foot-Ball Portoalegrense: os uniformes são exatamente iguais e o escudo do Grêmio está pintado do lado de fora do estádio, além disso alguns torcedores do clube usam camisetas do Grêmio nos jogos do Almagro. O clube já esteve na primeira divisão, mas passa a maior parte do tempo na segundona. Definitivamente, bastante inspirado no Grêmio.

    3. Por que usted morou en Canoas, Brasil? Dívida, Mujer ou el flagrante delito? 
    Segundo minha cédula de identidade, sou natural de Porto Alegre. Morei em Canoas porque tenho nojo, NOJO, de porto-alegrense!

    4. Reza la lenda que tu es un apreciador do Xis Conejo de esta metrópole brasileña. En que consiste esa iguaria? 
    O Xis Coelho era uma iguaria que podia ser apreciada em Canoas (Capital Mundial do Xis) num estabelecimento conhecido por XIS DO GATO. Trata-se de uma espécie de lanchonete administrada em seus tempos áureos pelo maior criador de coelhos do RS e que direcionava parte de sua produção para dentro de dois pães acompanhado com um saboroso molho de MILHO, salsinha, tomate e maionese. Hoje em dia o xis coelho não existe mais e o Xis do Gato deu lugar a estabelecimentos genéricos que atendem por Taverna do Gato 1 e Taverna do Gato 2.

    5. Es verdad que en tu pasage por Canoas fueste tu que introduciste el mullet en Brasil? 
    Essa informação é imprecisa. Eu usei mullets somente aos 13 anos de idade. Sou uma pessoa à frente do meu tempo e espaço quando o assunto é hype brega..

    6. Qual és el canoense mas conocido en el mundo: Filipón, Cavinato ou el Trensurb? 
    29195041O Felipão é de Passo Fundo. O Trensurb é do Governo Federal. Logo, o Cavinato ganha por W.O.

     

    7. Como és ser casado con una brasileña? 
    Gostaria muito de saber a resposta, pois sou casado com uma gaúcha.

    8. Aliás, argentino entra en la área de la brasileña. Por que brasileño não entra en la área de la Argentina? 

    Porque não vale a pena o esforço. 99% das argentinas são insuportáveis.

    9. Quando viviste en Canoas, como era criar en portunhol? 
    Eu tinha um pouco de dificuldade com a letra xota, com la xê y as palabras com xexedila. De resto, eu me biro bien hablando em brasilero.

    10. Pra encerrar, quem es el mejor: Maradona ou Biro-Biro?
    renato86Portaluppi.

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  • 26May

    Carlos Saul Duque

    O distinto cidadão acima faleceu no último dia 22 de maio e também atendia pelo nome artístico de Zé Rodrix, músico, compositor e publicitário. Rodrix é o autor, entre outras músicas, de “Casa no Campo”, que ficou famosa na voz de Elis Regina, “Mestre Jonas” e “Soy Latino Americano”, para mim o hino oficial do cucaracha preguiçoso:

    “Meu caminho pro trabalho
    É um pouco mais comprido
    Eu vou sempre pela praia
    Que é muito mais divertido
    Chego sempre atrasado
    Mas eu não corro perigo
    Quem devia dar o exemplo
    Chega atrasado comigo”

    Zé Rodrix foi um dos expoentes do rock rural dos anos 1970 ao lado de Sá e Guarabyra. O trio também foi o autor de um jingle da Pepsi muito famoso nos anos 70. E o cara tinha essa habilidade para compor hinos, porque “Só tem amor quem tem amor pra dar”, eu só tinha uns 10 anos mas lembro, virou arroz de festa em qualquer rodinha de violão da época.

    Na década de 80, Zé Rodrix entrou para o Joelho de Porco, banda paulista meio calabresa, meio muzzarela, meio punk e meio precursora do rock-humor que viria com o Premeditando o Breque, João Penca e os Miquinhos Amestrados, Língua de Trapo, Magazine, Ultraje a Rigor e outros falecidos do século passado. Até clipe no Fantástico eles tiveram, como prova o youtube.

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    Só tem amor quem tem amor pra dar” foi um dos jingles que marcaram a minha infância e provavelmente me influenciaram para eu ser publicitário. Fica aqui então a homenagem ao seu autor. Adeus, Zé.

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  • 22May

    Daniella Ferreira

    E então que hoje, em comemoração a nada e a coisa nenhuma, acontece o Bigoday na Dez Propaganda. Quem não tinha bigode, deixou crescer. Quem tinha barba, raspou. E quem não tinha nem nunca vai ter, deu um jeito de improvisar.

    Mas…bigode???
    Sim, aquele conjunto de pelos faciais, localizados entre o nariz e o lábio superior e é comum ser preservado por alguns homens junto ou não de uma barba. Também pode crescer em mulheres, não é, Tia Lúcia?

    E as mulheres, tipo assim, a Angelina Jolie, gostam de bigode?
    Olha, depende. Da mulher, do bigode, de tanta coisa. Mas a boa notícia é que policiais rodoviários, portugueses da padaria e Clark Gables em geral agora são bem-vindos ao mundo da moda. O site WGSN, grande apontador de tendências, já mandou avisar que usar bigode é bacana. Foi só Brad Pitt e Robert Downey Jr. desfilarem assim nas calçadas da fama que os editores de moda cresceram o olho. E passaram a achar fashion deixar crescer também os pelos debaixo do nariz.

    Mããs… de onde saiu essa idéia?
    A idéia do Bigoday é coisa do Thiago Bizarro, chefão do Design. Só um cara com esse nome, Thiago, pra ter idéias assim. A outra idéia, o tal do bigode, surgiu na idade média, quando os germanos chamaram a atenção dos habitantes da Península Ibérica por causa do monte de pelos em cima da boca e de seus juramentos e imprecações que proferiam. Com inusitada freqüência, os germanos exclamavam ‘bi Got!’, ‘por Deus!’ Mais que um juramento, era uma mera interjeição. Mas, sem entender o que aquela palavra significava, os ibéricos começaram a chamar de ‘bigot’ os homens bigodudos.

    E tem algum bigodudo famoso aí?
    Exatamente aqui na Dez, exatamente assim, famoso, não. Tem alguns sósias de famosos, serve? Mas ah, quem precisa de fama quando se tem amigos de bigode?

    Só acredito vendo. Tem foto?
    Ca-laro. E elas estão bem aqui, onde tem que estar: debaixo do seu nariz.

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  • 17May

    Carlos Saul Duque

    Por uma dessas coincidências da vida, preparava-me eu para passar um sábado caseirinho comendo pizza e vendo um dvd quando o telefone tocou e dois ingressos para o show do Gilberto Gil em Porto Alegre caíram no meu colo. Vencida a preguiça inicial e a tendência pessoal de evitar mudanças repentinas de programa, fui.

    Que bom que eu fui.

    Durante mais de duas horas, Gilberto Gil deu uma aula de alegria, energia, paixão pelo que faz e altíssimo talento e criatividade. Com um repertório escolhido a dedo, separou o show em bloquinhos de três músicas conectadas pela personalidade e ritmo: três reggaes, três rocks, três baladas, três forrós e assim por diante. Com uma banda pra lá de competente – a Banda Larga – Gil fez um show contagiante, belo, honesto, no sentido mais nobre deste adjetivo tão mal usado por aí.

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    Acima de tudo, aquele negrão de 66 anos pulando feito um moleque, que já foi ministro, que já foi preso, que tantas vezes se reinventou e, fazendo isso, ajudou a reinventar a música brasileira, deu um show de talento para a vida que poucas vezes a gente vê no palco. Vida que ele coloca como ninguém na sua música, que fala de coisas tão triviais de um jeito tão mágico que a gente sai feliz – da vida – de um show dele.

    Para homenagear o Gil, então, dez frases retiradas de dez canções. E tomara que eu esteja como ele. Quando tiver 66.

    Não tenho medo da morte, mas medo de morrer, sim. A morte é depois de mim, mas quem vai morrer sou eu. O derradeiro ato meu e eu terei de estar presente. Assim como um presidente, dando posse ao sucessor, terei que morrer vivendo sabendo que já me vou.

    Andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar. Certo ou errado até, a fé vai onde quer que eu vá. A pé ou de avião. Mesmo a quem não tem fé, a fé costuma acompanhar. Pelo sim, pelo não…

    Queremos saber o que vão fazer com as novas invenções. Queremos notícia mais séria sobre a descoberta da antimatéria e suas implicações.

    Se eu quiser falar com Deus tenho que aceitar a dor. Tenho que comer o pão que o diabo amassou.

    Sente-se a moçada descontente onde quer que se vá. Sente-se que a coisa já não pode ficar como está. Sente-se a decisão dessa gente em se manifestar. Sente-se o que a massa sente, a massa quer gritar: “A gente quer mudança. O dia da mudança. A hora da mudança. O gesto da mudança”.

    O amor da gente é como um grão: uma semente de ilusão. Tem que morrer pra germinar.

    E a cidade, que tem braços abertos num cartão postal, com os punhos fechados na vida real lhe nega oportunidades, mostra a face dura do mal. Alagados, Trenchtown, Favela da Maré. A esperança não vem do mar, vem das antenas de TV. A arte de viver da fé, só não se sabe fé em quê.

    Uma lata existe para conter algo. Mas quando o poeta diz: “Lata”, pode estar querendo dizer o incontível. Uma meta existe para ser um alvo. Mas quando o poeta diz: “Meta”, pode estar querendo dizer o inatingível.

    Minha ideologia é o nascer de cada dia. E minha religião é a luz na escuridão.

    Sou o punk da periferia. Sou da Freguesia do Ó – Ó, aqui pra vocês.

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  • 16May

    Carlos Saul Duque

    O viajante turístico é onipresente. Espalhado pelo mundo como uma gripe suína, está em todos os lugares. Seja na muralha da China ou na praça de San Marco, na trilha Inca ou no deserto do Saara, não há como evitá-lo. Mas o pior efeito de se deparar com um turista é que, ao estarmos frente a frente com um, automaticamente nos tornamos o outro turista ali presente. Como já dizia Russel Baker, jornalista americano dos idos de 1925, “A pior coisa em ser turista é ser reconhecido como tal pelos outros turistas”.

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    A coisa mais difícil do mundo é viajar e tentar não ser turista. Porque há um código tácito entre todos os turistas do mundo, uma espécie de gatilho químico no DNA do viajante de bermuda cargo que faz com que se adote um comportamento padrão de turista toda a vez que uma pessoa aloja o seu passaporte na Samsonite.

    Turistas barganham e pagam caro. Tiram a mesma foto que está no guia. Compram o souvenir-vestuário mais óbvio do local e não esperam chegar em casa para usá-lo. Turistas vivem sendo enganados. Turistas sempre querem sentar na janelinha.

    E turistas falam qualquer coisa. Tanto que a agência de viagens Thomas Cook e a Association of British Travel Agents, em conjunto com o jornal inglês The Telegraph, resolveram fazer uma seleção das melhores frases de turista coletadas por aí. Dez das melhores a gente mostra pra vocês agora. E prova que é na dificuldade que o turista se abestalha.

    “Não é justo que a gente leve nove horas para voar da Jamaica para a Inglaterra enquanto os americanos levam apenas três horas para chegar em casa.”

    “No folheto diz que não há cabeleireiras no hotel. Nós somos cabeleireiras profissionais. Tudo bem se a gente se hospedar aí?”

    “Nós tivemos que fazer fila ao ar livre e não havia ar condicionado.”

    “Por que raios eles construíram o Castelo de Windsor exatamente sob o trajeto dos aviões do aeroporto de Heathrow?”

    “Como operador de nossa excursão, era seu dever avisar antes de nossa viagem se haveriam hóspedes mal-educados ou barulhentos.”

    “Ninguém nos avisou que haveria peixes no mar. Nossos filhos ficaram chocados.”

    “Ozzie e Sharon ainda vivem aqui?” Turista visitando a Osborne House na Ilha de Wight, Inglaterra.

    “Fui picado por um mosquito. Ninguém me contou que eles picavam.”

    “É permitido usar salto alto na Austrália?”

    “A praia tinha areia demais.”

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