Uns dias antes do dia 22 de agosto desse ano eu tomei uma decisão. E tenho plena certeza que um bom número de pessoas que me conhece bem não entendeu. E no dia 22 de agosto, citado acima, essa decisão me fez deixar a gestão do núcleo de No Media da Dez e me tornar Supervisor Operacional da agência.
A pergunta mais freqüente que ouvi naquele dia e nas semanas que se seguiram – e que ainda ouço – foi: mas tu vai conseguir? E eu sempre perguntava, sabendo tudo que eu tinha em mente em relação a essa nova função: conseguir o quê? E me respondiam: não criar mais?
Acho que nunca respondi essa pergunta decentemente a ninguém. Eu sabia bem a resposta, e acho que sou capaz de colocar ela aqui, de um jeito que seja possível se ter uma idéia, ainda que imperfeita, do que se passa na minha cabeça, e de como eu entendo a coisa.
Vamos começar respondendo à questão “tu vai conseguir não criar mais”? A resposta é simples. A resposta é não. Até porque, pra mim, parar de criar é impossível. E eu não vou parar de criar, sendo Supervisor Operacional. Não vou mais fazer layouts, mas isso é bem diferente de parar de criar. Não vou nem mesmo parar de fazer design. Porque eu concordo completamente com o Karin Rashid, quando ele diz que design é sobre tornar nossa vida melhor. E quando esse é o objetivo, e quando nossa cabeça não pára de pensar em meios de tornar a vida das pessoas cada vez melhor, é impossível parar de criar.
Me lembro, sempre que me perguntam sobre minha nova função, de uma conversa que tive com o Mauro, em que eu disse que, para minha surpresa, eu estava gostando de me envolver cada vez mais nas coisas operacionais da agência. E isso foi muito antes da nova função. Eu disse que, de alguma maneira que eu não sabia bem explicar, eu via criatividade naquilo. Vi que ele me entendia, pelo jeito que sorriu do meu comentário.
Antes de eu me tornar um vocalista relapso, eu sempre comentava com os outros membros da minha banda sobre a vontade de criar ser uma espécie de maldição. Tu nunca consegue parar. Tu pode até tentar parar por um tempo. Tu pode até achar que não tá criando. Mas tá. Tem sempre aquele impulso irritante te fazendo testar algo novo, ver como funciona, e o que tu é capaz de fazer com aquilo.
Eu não crio mais painéis, folders, stands e coisas do gênero. Mudei o foco da minha vontade de deixar a vida melhor e mais bonita para a interação das pessoas. Passei a tentar criar processos mais simples e rápidos, jeitos mais fáceis e intuitivos de compartilharmos as informações para trabalharmos, modos mais eficazes de usar as ferramentas a nossa disposição, e por aí vai.
Idéias são idéias, sejam elas um anúncio, um filme, um blog ou um jeito de gastar menos papel na impressora. E o retorno de uma idéia que funciona é o mesmo, não importa que tipo de idéia. Sempre é bom ver que uma idéia nossa funcionou e ajudou todo mundo. Não importa que tipo de idéia seja.
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